Bahia, Ceará e Maranhão devem concentrar os maiores prejuízos com a nova taxação dos EUA; perdas podem ultrapassar R$ 16 bilhões anuais, segundo a Sudene
A recente decisão do presidente norte-americano Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil causou forte preocupação entre especialistas e representantes do setor produtivo, especialmente no Nordeste. De acordo com um levantamento divulgado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a medida pode provocar perdas superiores a R$ 16 bilhões por ano na região.
Os estados da Bahia, Ceará e Maranhão devem ser os mais atingidos, concentrando juntos cerca de 84% das exportações nordestinas para os Estados Unidos. Os principais setores afetados são a indústria do aço, produtos químicos, celulose e outros bens industriais de alto valor agregado.
No Ceará, onde o setor siderúrgico tem papel central nas exportações, as perdas podem chegar a quase R$ 1 bilhão, impactando diretamente empresas, empregos e arrecadação. A Bahia, com forte presença industrial e exportações que somaram US$ 882 milhões em 2024, pode perder ao menos R$ 380 milhões. O Maranhão, outro polo exportador estratégico, também integra a lista de estados em alerta, embora os impactos ainda estejam sendo dimensionados.
Diante do cenário, autoridades federais e estaduais estudam alternativas, como a busca de novos mercados internacionais, apoio às empresas exportadoras e articulação diplomática para tentar reverter a medida ou minimizar seus efeitos. A Sudene também defende estratégias de valorização da produção regional, com incentivo à inovação e agregação de valor aos produtos exportados.
A taxação anunciada por Trump faz parte de uma política comercial agressiva voltada à proteção da indústria americana e tem gerado tensões comerciais com diversos países. No Brasil, os reflexos são sentidos com maior intensidade nas regiões mais integradas ao mercado internacional — como o Nordeste, que agora busca soluções para enfrentar mais esse desafio econômico.


