Medida entra em vigor em agosto e é vista como retaliação à condenação de Bolsonaro; governo Lula promete reagir e levar disputa à OMC
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em seu segundo mandato na Casa Branca, anunciou nesta quarta-feira (10) a imposição de tarifas de 50% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo carne bovina, aço e itens agrícolas. A medida entrará em vigor a partir de 1º de agosto de 2025 e reacende a tensão nas relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
A decisão, classificada como uma retaliação política à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Justiça brasileira, foi criticada por líderes internacionais e pelo próprio governo brasileiro, que prometeu recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e buscar apoio internacional contra o que chamou de “intimidação econômica”.
Lula: “O Brasil não aceita chantagem”
Em pronunciamento nesta manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não permitirá pressões externas contra suas instituições democráticas.
“O Judiciário brasileiro é soberano. A tentativa de usar tarifas comerciais como forma de chantagem política é inaceitável. O Brasil vai responder à altura, dentro dos canais diplomáticos e legais”, declarou Lula.
Segundo ele, o Ministério das Relações Exteriores já iniciou articulações com nações do Mercosul, da União Europeia e com parceiros dos BRICS, para uma reação coordenada contra o aumento tarifário norte-americano.
Agronegócio e indústria em alerta
A medida atinge diretamente setores estratégicos da economia brasileira. Exportadores de carne, grãos, aço e celulose já estimam perdas de até R$ 12 bilhões ao ano, caso a tarifa de 50% seja mantida.
Empresários do agronegócio classificaram a decisão como “golpe duro e inesperado”. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) cobrou do governo brasileiro ações compensatórias, como novos acordos comerciais e incentivos fiscais.
Reações internacionais
A União Europeia classificou a medida como um “precedente perigoso para o comércio internacional”. Já a China se movimenta para aumentar a compra de produtos brasileiros, oferecendo-se como alternativa para os setores afetados.
Brasil prepara resposta na OMC
A equipe jurídica do governo Lula deve protocolar nos próximos dias uma ação formal na OMC, denunciando os EUA por violação das normas multilaterais. A expectativa é de que o processo leve meses, ou até anos, para ser julgado, mas ele pode abrir caminho para medidas de retaliação comercial por parte do Brasil.


