Chegamos a mais um 8 de janeiro. Depois de 2023, essa data deve ser sempre lembrada. Três anos atrás este foi, sim, um dia de infâmia. Hoje segue sendo dia de relembrar o grotesco, o truculento, o criminoso movimento que buscou um golpe de Estado e por muito pouco não golpeou o futuro. Que seja hoje e daqui por diante, também, dia de celebrar a resistência democrática frente à barbárie. Não é por mim, nem por você, muito menos pelo Lula ou pelo Alexandre de Moraes. É pela memória de cada voz que foi calada pela violência no passado mais distante, no passado recente e até mesmo nas proximidades deste presente ainda tão confuso. É por cada um que está aqui, dividindo este espaço de tempo onde se constrói história e memória para que se afirme com voz forte: que não se repita! É por cada pequeno ou pequena que merece crescer sem a sombra do medo, merece voar sem o risco de ter as asas podadas. É pelos que ainda hão de vir e dar continuidade a essa caminhada de construção e reconstrução, de resistência e existência, de conhecimento e reconhecimento. A democracia é torta sim, é cheia de defeitos sim, é muitas vezes até mesmo cruel, mas é inquestionável que ainda é o melhor dos sistemas. Que cada um escolha sua jornada, o lado da história pelo qual há de seguir seu caminho, mas que saibamos sempre ─ eu, você e todos, todas, todes demais ─ avançar sem querer interromper o caminho do outro, por mais divergente que sejamos. Não há crime pior do que aqueles que se pratica contra a democracia, porque é na sua negação que reside o autoritarismo e o fundamentalismo de onde brotam todas as violações, os genocídios, os negacionismos, todas as pequenas e grandes violências que fazem sangrar os corpos, os sonhos e o chão. Não há ingênuos entre os que atentam contra a democracia, que todos sejam responsabilizados com o rigor da mesma lei que serve para ti, para mim, para todos, todas e todes. Sem anistia aos golpistas!
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