Prêmio Nobel da Paz de 2025, a líder opositora da Venezuela, María Corina Machado, dedicou a láurea ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que a conquista é um impulso para a liberdade de seu país. “Estamos no limiar da vitória, e hoje, mais do que nunca, contamos com o presidente Trump, o povo dos EUA, os povos da América Latina e as nações democráticas do mundo como nossos principais aliados para alcançar a liberdade e a democracia”, escreveu na rede social X. “Dedico este prêmio ao povo sofredor da Venezuela e ao presidente Trump por seu apoio decisivo à nossa causa!” Em campanha aberta para conquistar o prêmio, o republicano ainda não se manifestou sobre o assunto. A Casa Branca, no entanto, criticou a escolha na sua primeira reação oficial. “Trump continuará fazendo acordos de paz, encerrando guerras e salvando vidas. Ele tem o coração de um humanitário, e nunca haverá ninguém como ele, capaz de mover montanhas com a força de sua vontade”, disse o porta-voz Steven Cheung no X. “O Comitê Nobel provou que eles colocam a política acima da paz.” Antes disso, María Corina se disse em choque em uma ligação com o também opositor Edmundo González, candidato à Presidência da Venezuela em 2024 e exilado na Espanha desde que o ditador Nicolás Maduro se proclamou vencedor após o pleito. “O que é isso? Não consigo acreditar”, afirma ela em um vídeo publicado na rede social X de González, que entrou na disputa após María Corina ser declarada inelegível pelo regime. “Estamos em choque de alegria”, responde ele. “Merecidíssimo reconhecimento à longa luta de uma mulher e de todo um povo pela nossa liberdade e democracia. A primeira vencedora do Prêmio Nobel da Venezuela! María Corina, a Venezuela será livre!”, afirmou ele ao compartilhar o vídeo. Com o prêmio, a opositora se tornou a 20ª mulher a ganhar o Nobel, concedido desde 1901 —o que significa que, agora, 83% das premiações foram masculinas. A última mulher a ganhar a homenagem havia sido a ativista iraniana Narges Mohammadi, em 2023. O comitê caracterizou María Corina como “um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos tempos recentes” e uma “figura-chave e unificadora em uma oposição política que antes era profundamente dividida”. “É precisamente isso que está no cerne da democracia: nossa disposição compartilhada de defender os princípios do governo popular, mesmo discordando. Em um momento em que a democracia está ameaçada, é mais importante do que nunca defender esse ponto em comum”, diz o anúncio. O presidente do comitê, Jorgen Watne Frydnes, ainda citou os esforços “inovadores e corajosos, pacíficos e democráticos” da oposição nas eleições de 2024 na Venezuela, quando o antichavismo reuniu as atas de votação ao longo do dia em uma tentativa de contestar possíveis fraudes do regime. Embora os documentos, atestados por diferentes órgãos independentes, tenham apontado vitória ao candidato da oposição, Edmundo González, Maduro declarou sua terceira reeleição horas após o fechamento das urnas, sem apresentar as provas exigidas pela lei venezuelana. O episódio foi apenas uma das anormalidades do pleito. Cerca de um ano antes, María Corina havia sido declarada inelegível ao lado de outros opositores pela Controladoria-Geral do país —que, assim como a maioria dos órgãos públicos da Venezuela, está aparelhada. Na ocasião, o regime atribuiu a decisão a irregularidades administrativas da época em que ela foi deputada, de 2011 a 2014. A medida, imposta em 2015, tinha vigência de apenas um ano, mas foi estendida porque ela apoiou sanções dos EUA contra Maduro, segundo o órgão.
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