As Forças Armadas da Venezuela afirmaram nesta quarta-feira (29) que destruíram dois acampamentos de “terroristas narcotrafiantes” colombianos no sul do país. Militares venezuelanos afirmaram ter destruído “dois acampamentos logísticos utilizados por grupos invasores”, indicou no Telegram o general Domingo Hernández Larez, chefe do comando estratégico das Forças Armadas. Ele usou o termo “Tancol” (Terroristas Armados Narcotraficantes da Colômbia), utilizado pelo regime venezuelano para se referir a grupos criminosos na fronteira dos países. Nos acampamentos, os militares teriam encontrado panfletos da guerrilha colombiana ELN (Exército de Libertação Nacional). Hernández Larez indicou também que entre o material apreendido há munições, veículos, coletes táticos e combustível. No início de outubro, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, anunciou a destruição de acampamentos nos estados de Bolívar (sul) e Zulia (oeste) de “grupos narcoterroristas” do ELN e das Farc colombianas. O anúncio ocorre em meio à mobilização, por parte dos Estados Unidos, de navios de guerra no Caribe sob o argumento de combate a cartéis de drogas que a Justiça americana associa ao ditador venezuelano Nicolás Maduro. Ele nega as acusações e afirma que o argumento de Washington mascara um plano para derrubá-lo. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Maduro defende que a Venezuela é um território livre de cultivos de matéria-prima de drogas e que apenas uma mínima fração de narcóticos produzida na Colômbia é transportada através do seu território. Desde o início de setembro, as Forças Armadas dos EUA têm bombardeado embarcações no Caribe e no oceano Pacífico supostamente tripuladas por narcotraficantes. Foram, até esta quarta-feira, 14 barco destruídos e ao menos 57 mortos, segundo Washington, que não tem apresentado evidências que confirmem se tratarem de narcotraficantes. O anúncio dos mais recentes ataques nesta terça ocorreu em mais um dia de pressão renovada contra Maduro. Washington realizou sua terceira missão com bombardeiros perto da Venezuela, mobilizando dois modelos B-1B próximo a Caracas. Além disso, Washington ordenou o envio do maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, que deve chegar na região na semana que vem. O navio de guerra de 333 metros de comprimento, com capacidade para dezenas de caças, vai se juntar a tropas, outras embarcações e aeronaves posicionadas no Caribe. No domingo (26), Caracas anunciou a prisão de ao menos quatro pessoas supostamente integrantes de um grupo de mercenários que teriam como objetivo cometer um ataque de bandeira falsa ao navio USS Gravely, atracado em Trinidad e Tobago nesta semana. O ataque serviria como justificativa para uma reação americana, segundo o regime venezuelano. O presidente colombiano, Gustavo Petro, também tem sido alvo da retórica de Trump. O americano o chamou de líder narcotraficante, e Washington sancionou Petro, o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia.
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