O movimento separatista do sul do Iêmen afirmou nesta sexta-feira (2) que pretende realizar um referendo sobre independência do território que controla no sul do país em dois anos, após a tomada de vastas áreas no mês passado. O líder do Conselho de Transição do Sul (STC, na sigla em inglês), Aidarous al-Zubaidi, pediu à comunidade internacional que patrocine negociações entre as partes interessadas do sul e do norte sobre um caminho e mecanismos que “garantam os direitos do povo do sul”. O anúncio ocorre em um momento em que o governo internacionalmente reconhecido, apoiado pela Arábia Saudita, tenta retomar a crucial região de Hadramout do STC, que conta com o apoio dos Emirados Árabes Unidos. A repentina tomada de vastas áreas do sul e leste do Iêmen pelo STC, no início de dezembro, aprofundou divergências entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos e provocou ruptura na coalizão que luta contra os rebeldes houthis, alinhados ao Irã, que controlam a capital, Sanaa, e a região noroeste, densamente povoada. Na última sexta (26), o governador de Hadramout sob o governo internacionalmente reconhecido afirmou ter lançado uma operação que chamou de pacífica para retomar o controle da área. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Ataques aéreos sauditas atingiram um aeroporto na cidade, segundo um porta-voz das tribos da província, e o governador afirmou que suas forças assumiram o controle da base militar mais importante da região. Naquele momento, o STC afirmou que o bombardeio era uma “séria preocupação” e teve como alvo algumas de suas forças de elite no local. A disputa coloca em segundo plano os rebeldes houthis, que se transformaram na maior força militar rebelde durante a guerra civil no país de mais de 11 anos e dezenas de milhares de mortos. A coalizão liderada pelos sauditas contém uma série de outros grupos, incluindo o STC e outras facções, e tem como parceiro os Emirados Árabes. Os dois gigantes do Golfo Pérsico, no entanto, apoiam grupos diferentes dentro da coalizão, o que colocou Riad e Abu Dhabi em rota de colisão quando o STC iniciou sua campanha militar recente. Hadramout, província produtora de petróleo, faz fronteira com a Arábia Saudita e muitos sauditas proeminentes têm origem na região, o que lhe confere importância cultural e histórica para o reino. Sua captura pelo STC no mês passado foi considerada por Riad como uma ameaça a sua segurança nacional. A disputa tomou contornos mais graves quando a Arábia Saudita bombardeou Hadramout e uma instalação no porto de Mukalla, mirando materiais utilizados pelo STC que teriam como origem Abu Dhabi. As ações pressionaram os emiráticos, que anunciaram a retirada do que restava de suas tropas no Iêmen —o STC, no entanto, afirmou que seguiria com seus planos. Riad e Abu Dhabi são atores centrais na Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), e desacordos entre os dois poderiam dificultar o consenso sobre decisões de produção do petróleo global. O grupo se reunirá virtualmente no domingo (4).
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