A morte a tiros de uma mulher de 37 anos por um agente do ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos, na cidade de Minneapolis deixou grande parte do país em estado de tensão. O episódio provocou indignação de moradores, políticos e autoridades locais e deve desencadear uma nova onda de protestos massivos pelo país. Milhares de pessoas se reuniram para uma vigília à luz de velas ainda na noite de quarta-feira (7), em Minneapolis, para lamentar e protestar contra o episódio. Manifestantes também foram às ruas em Nova York. Outros atos foram convocados em ao menos cinco cidades, como Chicago, Seattle, Phoenix, Orlando e Columbus. A vítima foi identificada como Renee Nicole Good. Segundo relatos de familiares à imprensa americana, ela tinha três filhos: uma menina de 15 anos e dois meninos, de 12 e 6. Good também era uma poeta premiada e amante de cinema. Estudou escrita criativa na Universidade Old Dominion, em Norfolk, e ganhou o Prêmio da Academia de Poetas Americanos para estudantes de graduação. Em maio de 2020, Minneapolis foi palco de um outro episódio marcante de violência: o assassinato brutal de George Floyd, um homem negro que foi sufocado até a morte por um policial branco. Sua morte motivou manifestações dentro e fora dos EUA e virou tema central nas eleições. Desta vez, Good foi morta dentro de seu carro enquanto aparentemente tentava fugir de uma operação de fiscalização imigratória, em mais um incidente violento durante a repressão nacional contra imigrantes promovida por Donald Trump. Seus familiares a descrevem como uma pessoa “extremamente amorosa, compreensiva e afetuosa” e contestam a versão dada pelo governo de que Good teria confrontado agentes do ICE. Moradores que se reuniram em Minneapolis para protestar contra o tiroteio foram recebidos por agentes federais fortemente armados e usando máscaras de gás, que dispararam munições químicas contra os manifestantes. A operação de quarta-feira faz parte da repressão nacional do presidente republicano contra imigrantes. Trump enviou agentes federais de imigração para cidades governadas por democratas nos EUA durante 2025, o que gerou reações negativas dos moradores e dos líderes locais. Nas últimas semanas, agentes federais foram enviados a Minneapolis e à cidade vizinha de Saint Paul após acusações de fraude envolvendo imigrantes somalis, que Trump chamou de “lixo”. Moradores contrários à medida vinham alertando seus vizinhos sobre a presença dos funcionários do ICE. O prefeito da cidade, Jacob Frey, culpou o presidente por aumentar as tensões em torno da fiscalização imigratória. “Para o ICE, deem o fora de Minneapolis. Não queremos vocês aqui”, afirmou em pronunciamento. O governador de Minnesota, Tim Walz —que concorreu à vice-Presidência ao lado de Kamala Harris em 2024—, criticou o governo do republicano por sua resposta ao incidente, que classificou de “terrorismo doméstico”. “Não acreditem nessa máquina de propaganda”, escreveu.Trump afirmou que o caso parece ter sido um ato de legítima defesa. “A mulher que dirigia o carro estava muito agitada, obstruindo e resistindo, e então, de forma violenta, intencional e cruel, atingiu o agente do ICE, que aparentemente atirou nela em legítima defesa”, disse nas redes sociais. Posteriormente, em uma entrevista ao New York Times, o presidente afirmou que “não gosta” que esse tipo de episódio ocorra e que “a cena é terrível”, mas não voltou atrás de sua narrativa. As narrativas conflitantes refletem a polarização política dos EUA. Um vídeo do momento mostra agentes mascarados se aproximando do carro de Good, que estava parado em uma rua. O carro então dá ré e se afasta, passando ao lado de um agente que então atira contra a motorista. Nas imagens não há qualquer sinal de que o agente tenha sido atropelado ou ferido pelo carro, embora a secretária de Segurança Interna americana, Kristi Noem, tenha dito que o homem foi atendido em um hospital e liberado. O FBI e autoridades do estado de Minnesota estão investigando o caso. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Agentes federais geralmente são imunes a processos estaduais por ações no exercício de suas funções oficiais. O advogado de direitos civis de Minnesota, Paul Applebaum, disse que não está claro quem, se alguém, abriria um processo contra o agente. “As chances de o agente ser processado por Pam Bondi são mínimas”, afirmou Applebaum, referindo-se à secretária de Justiça dos EUA, aliada de Trump. Segundo ele, tribunais têm restringido cada vez mais a possibilidade de processar agentes federais por indenizações decorrentes de violações de direitos civis. A lei de Minnesota autoriza o uso de força letal por um agente apenas quando ele entender que essa medida é necessária para proteger a própria vida ou a de terceiros diante de uma ameaça imediata de morte ou de ferimentos graves. A legislação federal adota um critério semelhante.
Ultimas Noticias
- Sobe para 2.595 número de mortos em terremotos na Venezuela
- Brasil rebate EUA e diz que tarifaço prejudicaria empresas americanas
- Papa emérito Bento XVI morre aos 95 anos
- Rússia dispara mísseis contra grandes cidades da Ucrânia
- Biden declara emergência no estado de Nova York
- Margareth Menezes recebe título da UFC nesta sexta
- Equipes de resgate continuam a atuar após terremotos na Venezuela
- Ucrânia destrói caças russos em aeródromo na Crimeia após ataques de Moscou a Kiev


