Cerca de 2.000 manifestantes morreram no Irã desde 28 de dezembro, quando começou a atual onda de protestos contra o regime teocrático do país, segundo um membro do regime afirmou à agência de notícias Reuters, culpando o que chamou de “terroristas” pela escalada da violência. O Alto Comissário da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou nesta terça-feira (13) que está “horrorizado” com o aumento da repressão contra manifestantes. “Esse ciclo de violência não pode continuar. O povo iraniano e suas demandas por justiça, igualdade e equidade precisam ser ouvidos”, disse em um comunicado. O apagão quase total da internet imposto pelas autoridades iranianas dificulta a checagem e o acesso à informação. A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, afirmou na segunda (12) que ao menos 648 manifestantes haviam morrido, mas que essa cifra poderia ser maior, chegando a 6.000 vítimas. Segundo a ONG Netblocks, o bloqueio do acesso à internet já ultrapassa 108 horas. Defensores de direitos humanos acusam a República Islâmica de tentar restringir e censurar a divulgação de imagens dos protestos. Um jornalista da agência de notícias AFP relatou que, embora o apagão da internet continue, a conexão telefônica internacional foi restabelecida nesta terça. A mais recente onda de manifestações representa um dos maiores desafios ao regime teocrático desde a Revolução Islâmica de 1979, e gerou reações da comunidade internacional. A Espanha convocou nesta terça-feira o embaixador do Irã em Madri para expressar sua “enérgica repulsa e condenação” à repressão dos protestos no país. O gesto é um ato diplomático que demonstra insatisfação. Com isso, o país se soma à pressão internacional para que Teerã modere sua resposta às manifestações. A Finlândia e a Bélgica também convocaram o embaixador iraniano, e os Estados Unidos anunciaram que vão impor tarifas de 25% a quem comercializar com o Irã. O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, disse nesta terça que acredita que a teocracia iraniana “vive seus últimos dias”. “Presumo que estejamos agora testemunhando os últimos dias e semanas deste regime”, afirmou ele durante uma viagem à Índia. “Quando um regime só consegue se manter no poder por meio da violência, então ele está, de fato, chegando ao fim. A população agora está se levantando contra esse regime.” O Qatar afirmou nesta terça que uma escalada militar entre os Estados Unidos e o Irã teria consequências graves para a região. A declaração ocorre depois que Washington ameaçou realizar ataques em resposta à violenta repressão às manifestações. Em resposta, a conta oficial do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, compartilhou nas redes sociais uma charge que mostra o presidente Donald Trump como um sarcófago destroçado. O desenho é acompanhado da frase: “Ele também será derrubado”. Um dia depois, porém, Teerã abaixou o tom e disse que mantém o diálogo aberto com os Estados Unidos. O Irã já enfrentou protestos em massa nas últimas décadas, mas, desta vez, os atos estão por todo o país e ocorrem em um momento delicado. A Rússia, uma importante parceira, está em guerra na Ucrânia há quase quatro anos e aliados do regime na região sofreram derrotas nos últimos meses —o ex-ditador Bashar al-Assad caiu na Síria, e o Hezbollah, no Líbano, enfrentou perdas em guerra com Israel. Os protestos começaram em resposta à alta dos preços, mas logo se voltaram contra os governantes religiosos que estão no poder há mais de 45 anos.
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