O porta-voz do Kremlin anunciou nesta segunda-feira (19) que o presidente Vladimir Putin foi convidado por Donald Trump para integrar o chamado Conselho da Paz, órgão criado para supervisionar o governo tecnocrático da Faixa de Gaza. Segundo o porta-voz Dmitri Peskov, Moscou está analisando a proposta. A Rússia é alvo de críticas da comunidade internacional por ter violado a soberania da Ucrânia ao invadi-la em 2022, num conflito que completa quatro anos no próximo mês e é o mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. O presidente americano enviou o convite a líderes de diversos países, incluindo o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o argentino Javier Milei. A criação do conselho faz parte da segunda fase do plano de paz dos EUA para a região. O órgão será presidido pelo próprio Trump, mas os detalhes sobre o seu funcionamento ainda não estão claros. Segundo a agência Bloomberg, o governo Trump pretende exigir o pagamento de ao menos US$ 1 bilhão dos países com assento permanente. As decisões seriam tomadas por maioria, com direito a um voto para cada Estado-membro, mas todas dependeriam da aprovação final do presidente americano. Como mostrou a Folha, auxiliares do governo preparam avaliações sobre a entrada do Brasil no órgão. O plano atraiu críticas do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que disse que o anúncio não foi coordenado com Tel Aviv e que a iniciativa vai na direção oposta à política adotada por seu país. Na sexta, Trump anunciou primeiro nomes que vão compor o grupo. A lista inclui o secretário de Estado americano, Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair; os enviados de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff e Jared Kushner (este, genro de Trump); o bilionário americano Marc Rowan; o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; e Robert Gabriel, assessor de Trump. O porta-voz do Kremlin também comentou a situação na Venezuela, uma aliada de Moscou, e as ameaças do presidente americano para anexar a Groenlândia, hoje território autônomo dinamarquês. Segundo Peskov, Putin não tem planos para entrar em contato com a líder interin venezuelana, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro durante o ataque dos EUA. Os países continuam mantendo contatos regulares em nível diplomático, ainda de acordo com o comunicado. Em relação à Groenlândia, Peskov foi questionado sobre a tese defendida por Trump de que, se os EUA não tomarem controle da ilha ártica, a Rússia ou a China o farão. O porta-voz respondeu que tem havido muita “informação perturbadora” ultimamente, mas que o Kremlin não comentaria supostos planos russos em relação à Groenlândia. “Há especialistas internacionais que acreditam que, ao resolver a questão da incorporação da Groenlândia, Trump certamente entrará para a história. E não apenas a história dos Estados Unidos, mas também a história mundial”, acrescentou Peskov. “Aqui, talvez, seja possível abstrair se isso é bom ou ruim, se estará de acordo com os parâmetros do direito internacional ou não.” O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou na semana passada que é inaceitável que o Ocidente continue alegando que Rússia e China representam uma ameaça ao território. Ainda nesta segunda, Trump voltou a afirmar que a Dinamarca não foi capaz de “afastar a ameaça russa da Groenlândia”. Em um post em sua rede Truth Social, ele cita a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e afirma que “agora é a hora” para uma ação ser feita. O presidente afirma que a ilha é vital para a segurança dos EUA devido à sua localização estratégica e aos grandes depósitos minerais. Embaixadores de países europeus realizaram uma reunião de emergência no domingo (18) para discutir a situação. Trump deverá se encontrar com líderes da União Europeia ainda nesta semana, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
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