Após ter dito que Volodimir Zelenski era o principal fator impedindo um acordo de paz, Donald Trump jogou a bola para Vladimir Putin após se encontrar com o presidente ucraniano em Davos (Suíça) nesta quinta-feira (22). “O encontro foi muito bom. A mensagem para Putin é: a guerra tem de acabar”, disse brevemente a repórteres o americano, que participava do Fórum Econômico Mundial. Zelenski voou para a Suíça só para encontrá-lo. Ainda nesta quinta, o enviado especial do presidente para a guerra, Steve Witkoff, e seu genro Jared Kushner irão a Moscou para um encontro com Putin. Em Davos, ambos se encontraram com uma delegação ucraniana e com o negociador russo Kirill Dmitriev. O embate mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, iniciado pela invasão por três lados promovida por Vladimir Putin, completará quatro anos daqui a um mês e dois dias. O momento é de violentos ataques russos durante o pior inverno da história recente, deixando milhares sem aquecimento e energia. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Mais cedo, Trump havia dito que “logo acabaremos com outra guerra” ao fantasiar a ideia de que o Oriente Médio está livre de conflitos com o lançamento de seu Conselho da Paz, destinado a tratar do futuro da arruinada Faixa de Gaza. O americano falou que a região estava pacificada, mas ao mesmo tempo monta uma grande força militar para ameaçar e talvez atacar o Irã, cujo regime está pressionado por protestos de rua. Ainda em Davos, prometeu não invadir a Groenlândia e abriu negociações que prometem se tensas sobre o controle da ilha dinamarquesa. Nas discussões ocorridas em Davos, estava na mesa a versão a ser levada ao Kremlin do acodo de paz proposto por Trump. Ele nasceu na terceira tentativa do americano de mediar a paz no conflito, a partir de um texto desenhado por Witkoff e Dmitriev que adotava praticamente todos os pontos desejados por Putin. No centro das demandas, colocadas no papel pela Rússia em junho do ano passado, está a tomada dos territórios que anexou ilegalmente em 2022 mas ainda não controla totalmente e a neutralidade total da Ucrânia —proibida de ingressar na Otan e com forças limitadas. Com apoio europeu, Zelenski reagiu e fez uma proposta mais aceitável para Kiev, que foi rejeitada pelos russos. O texto voltou para mãos ucranianas e americanas, com propostas da Europa. Ele estava travado porque o ucraniano não topava as perdas territoriais sem uma consulta à população de seu país. Esse mesmo texto inclui um item que Moscou já rejeitou de cara: a criação de uma força de paz europeia, apoiada pelos EUA, para monitorar o eventual cessar-fogo. O Kremlin já disse que tais tropas seriam alvos legítimos. No mais recente encontro da dupla americana com Putin, em dezembro, o russo manteve a inflexibilidade em relação a seus termos para acabar com o conflito, empoderado que estava pelo bom momento militar da Rússia em campo.
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