O proprietário de um bar suíço que foi consumido por um incêndio, resultando em 40 mortes na virada de ano, foi libertado sob fiança nesta sexta-feira (23), segundo autoridades do Judiciário, provocando indignação e incompreensão em parte das famílias das vítimas e da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni —alguns dos mortos tinham nacionalidade italiana. Jacques Moretti e sua esposa, Jessica, são investigados por homicídio culposo e outros crimes relacionados ao incêndio que matou 40 pessoas e feriu mais de 100, muitas delas adolescentes. Muitos dos sobreviventes ainda estão hospitalizados com queimaduras graves em hospitais por toda a Europa. Jacques Moretti foi detido em 9 de janeiro. As condições para sua fiança incluem o pagamento de 200 mil francos suíços (cerca de R$ 1,3 milhão) e a obrigação de se apresentar diariamente a uma delegacia de polícia, informou o tribunal. Meloni classificou a decisão de libertá-lo como “uma afronta à memória das vítimas da tragédia da véspera de Ano Novo e um insulto às suas famílias, que sofrem com a perda de seus entes queridos”. “O governo italiano exigirá respostas das autoridades suíças sobre o ocorrido”, escreveu ela no X. Seis dos mortos eram italianos, assim como 10 dos feridos. Os advogados das vítimas e de suas famílias também disseram ter dificuldades para entender a ordem judicial e que seus clientes estavam preocupados com o desaparecimento de provas. “Meus clientes observam que, mais uma vez, não foi dada nenhuma consideração ao risco de conluio ou ao desaparecimento de provas —algo que os preocupa muito e põe em risco a integridade do processo”, disse Romain Jordan, que representa mais de 20 famílias de vítimas. Os proprietários expressaram pesar pela tragédia e disseram que cooperariam com os promotores. “Jessica e Jacques Moretti continuarão a cumprir todas as solicitações das autoridades”, disseram seus advogados em um comunicado por escrito após a ordem de soltura. Os promotores disseram ter entrevistado os proprietários do bar sobre questões de segurança e reformas do Le Constellation durante duas audiências que duraram mais de 10 horas cada. Eles acrescentaram que também ordenaram buscas, obtiveram provas e apreenderam bens.
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