A Procuradoria-Geral do Peru iniciou, nesta sexta-feira (13), uma investigação preliminar contra o presidente interino José Jerí pelo crime de tráfico de influência devido ao seu suposto envolvimento na contratação de nove mulheres para cargos em seu governo, informou o Ministério Público à agência de notícias AFP. Esta é a segunda investigação aberta pela Procuradoria-Geral contra Jerí, que se tornou o oitavo presidente peruano em menos de dez anos ao assumir o poder no dia 10 de outubro do ano passado. A nova investigação ocorre no momento em que o Congresso coleta assinaturas para debater uma moção de impeachment contra o presidente por “má conduta e inaptidão” para o cargo. O líder de 39 anos era presidente do Congresso até substituir a ex-presidente Dina Boluarte, que sofreu impeachment em meio a protestos massivos contra uma onda de extorsão e assassinatos por encomenda no país. De acordo um documento obtido pela AFP, o presidente, que ainda não se pronunciou sobre a investigação, será interrogado pelo procurador-geral Tomás Gálvez no dia 2 de março. A investigação visa apurar se Jerí exerceu influência indevida nas nomeações, que ocorreram entre outubro e janeiro. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O caso veio à tona por meio de uma reportagem do programa de televisão Cuarto Poder, que noticiou a contratação de mulheres para cargos na Presidência da República e no Ministério do Meio Ambiente após visitas a Jerí entre outubro e novembro. Há uma semana, a Presidência da República classificou a informação divulgada como um “uso malicioso e tendencioso”. Também denunciou a reportagem como um ataque “à dignidade e à reputação” das mulheres envolvidas. Esta é a segunda apuração aberta pela Procuradoria contra Jerí, que já está sendo investigado pelo suposto crime de “patrocínio ilegal de interesses” após a divulgação de um encontro secreto com um empresário chinês que faz negócios com o governo. O presidente goza de imunidade parlamentar durante seu mandato e, por isso, só poderá enfrentar processos criminais após julho, quando deixar o cargo para dar lugar ao presidente eleito no pleito de abril. Paralelamente às investigações da Procuradoria, a oposição minoritária de esquerda e um bloco de partidos de direita buscam aprovar uma moção de impeachment contra Jerí. Os congressistas precisam de 78 assinaturas para convocar uma sessão plenária extraordinária para debater a moção. Caso a medida seja admitida para debate, os parlamentares exigem que “Jerí compareça perante o Congresso e forneça as explicações necessárias sobre as graves questões relativas à sua conduta no cargo”. “Ordenei a convocação de uma sessão plenária extraordinária para discutir a censura do presidente José Jerí na terça-feira, dia 17, às 10h”, anunciou o presidente interino do Congresso, Fernando Rospigliosi. De acordo com a lei peruano, são necessários 66 votos para censurar Jerí. Caso seja destituído do cargo, o Legislativo “elegerá imediatamente um novo presidente do Congresso, que se tornará automaticamente presidente da República”, explicou o presidente interino do Parlamento, Fernando Rospigliosi.
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