O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (13) pela primeira vez que irá à Venezuela, embora não tenha especificado uma data. Desde a captura do ditador Nicolás Maduro, no início de janeiro, a Casa Branca mantém diálogos com a líder interina do regime chavista, Delcy Rodríguez, e tem afrouxado sanções contra o país sul-americano. Trump fez a declaração em Washington, pouco antes de viajar para uma base militar na Carolina do Norte onde estão soldados que participaram da operação contra Maduro. O ditador deposto está preso e aguarda julgamento em Nova York por acusações relacionadas ao narcotráfico. Questionado sobre os diálogos da Casa Branca com Delcy, o presidente americano disse que Washington já a considera a líder legítima. Segundo ele, as relações bilaterais estão “tão boas quanto se poderia desejar” e a dirigente está fazendo “um grande trabalho”. O Departamento do Tesouro americano emitiu na terça-feira (10) uma licença geral autorizando o fornecimento de bens, tecnologia, software ou serviços americanos para a exploração, desenvolvimento ou produção de petróleo e gás na Venezuela. Já nesta sexta, o Departamento de Estado disse ter enviado mais de 6 toneladas de suprimentos médicos prioritários ao país sul-americano, como parte do “plano de estabilização, recuperação e transição” da Venezuela. “Esse é o primeiro envio de um esforço significativo para aumentar o abastecimento de suprimentos médicos críticos para a Venezuela”, disse a pasta em nota, sem informar se o material foi doado ou se foi pago com a receita da venda de petróleo venezuelano, que os EUA depositavam até pouco tempo em uma conta bancária no Qatar. Desde a captura de Maduro, Washington já arrecadou US$ 1 bilhão com o refino de petróleo venezuelano, de acordo com o governo Trump. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo Nos últimos dias, as autoridades americanas elaboraram um ambicioso plano de reconstrução de US$ 100 bilhões para a indústria petrolífera do país que deve permitir a expansão de produtores estrangeiros e a entrada de novos participantes. Delcy, por sua vez, disse em entrevista à emissora americana NBC, publicada na quinta-feira (12), ter sido convidada para viajar a Washington. A líder afirmou que ainda avalia o convite e não deu detalhes sobre quando a viagem poderá ocorrer nem sobre as pessoas que integrariam a comitiva. “Estamos considerando ir para lá assim que estabelecermos essa cooperação e pudermos avançar com tudo”, disse. Em paralelo, as autoridades venezuelanas têm feito acenos a setores da oposição, tanto com a lei de anistia, que propõe libertar todos os presos políticos, quanto com a possibilidade de novas eleições. Ainda na entrevista à NBC, Delcy disse estar comprometida com a realização de eleições “livres e justas” em seu país. Segundo ela, a convocação do pleito “implica também um país livre de sanções”. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, que esteve na Venezuela nesta semana, também descreveu Delcy como presidente interina e afirmou que caberá ao povo venezuelano decidir seu papel em eventuais eleições.
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