O governo de Israel anunciou que, além de criar uma zona de exclusão ocupada por seus militares no sul do Líbano, irá demolir todas as casas e edificações que ficam na fronteira entre os dois países. Segundo disse nesta terça-feira (31) o ministro Israel Katz (Defesa), a medida visa “remover de forma permanente as ameaças fronteiriças”, em referência ao conhecido uso de residências e imóveis civis pelo Hezbollah para atacar o norte israelense. Ele comparou as demolições previstas com o que ocorreu em Rafah e Beit Hanoun, cidades da Faixa de Gaza que também tiveram áreas inteiras obliteradas perto da fronteira com Israel após o cessar-fogo entre o Estado judeu e o grupo terrorista Hamas. Se por um lado é notório e documentado o emprego da infraestrutura civil do sul libanês pelo Hezbollah, a arbitrariedade de uma demolição generalizada como a anunciada por Katz levará a acusações de crime de guerra. Segundo o direito humanitário internacional, regulado pelas Convenções de Genebra e pelo Estatuto de Roma, é proibido destruir casas sem propósito militar. Na semana passada, o mesmo Katz já havia dito que Israel voltaria a ocupar o sul libanês com suas forças, como fez de 1982 a 2000, para proteger sua população no norte do país. Pontes sobre o rio Litani, que separa a região do resto do Líbano, já foram destruídas. O território tem 850 km² (pouco mais que a área de Campinas) e, no ponto mais ao norte, fica a 30 km de Israel. Na trégua estabelecida em 2024 após o Hezbollah atacar Israel em apoio ao Hamas, a área deveria ficar sob controle do Líbano. Beirute não tem condições de enfrentar o Hezbollah, apesar de o grupo fundamentalista ter sido bastante alquebrado na guerra de 2024. E Israel nunca deixou de fato a região, mantendo cinco postos de fronteira até a guerra atual com os Estados Unidos contra o Irã. Como o Hezbollah atacou o Estado judeu em apoio a Teerã, Tel Aviv decidiu tentar acertar essas contas novamente e enviou mais soldados para a região, além de bombardear pesadamente o Líbano. Morreram no país árabe 1.200 pessoas. No Irã, foram cerca de 2.000 e em Israel, 25 em ataques retaliatórios até aqui. Para os cerca de 600 mil moradores que deixaram o sul, não há perspectiva de voltar para casa. Katz disse que isso só ocorrerá quando Israel considerar que sua população no norte estiver segura. Nesta terça, quatro soldados israelenses foram mortos durante operação no sul libanês, enquanto dois outros foram feridos. Já do outro lado da fronteira, um morador ficou machucado durante um ataque do Hezbollah. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
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