O papa Leão 14 criticou nesta quinta-feira (23) o tratamento dado aos imigrantes, afirmando que frequentemente aqueles que buscam escapar da violência ou da pobreza são considerados “piores do que animais de estimação”, em declarações incomumente fortes sobre o tema. O pontífice, que tem sido um crítico das políticas de imigração linha-dura do presidente Donald Trump, pediu tratamento humanitário aos imigrantes durante seu voo de volta a Roma após uma viagem por quatro países da África. “Eles são seres humanos e temos que tratar seres humanos de forma humanitária e não tratá-los pior do que animais de estimação ou bichos”, disse o papa. Leão 14, o primeiro papa americano, não mencionou nenhum país específico em suas declarações nesta quinta-feira. O papa já havia questionado anteriormente se as políticas linha-dura do governo Trump estão de acordo com os rígidos ensinamentos pró-vida da Igreja Católica, em declarações que geraram fortes críticas de católicos conservadores americanos. Leão 14 disse nesta quinta-feira que os países têm o direito de controlar suas fronteiras. Mas pediu que nações mais ricas ajudem a desenvolver os países de onde os migrantes estão saindo, para que não sintam a necessidade de partir. “O que os países mais ricos estão fazendo para mudar a situação dos países mais pobres?”, perguntou. “E por que não podemos buscar mudar as situações nesses países?” Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Desde o fim de março, declarações do papa Leão 14 sobre a guerra no Irã vêm tensionando sua relação com Trump. O pontífice afirmou, por exemplo, que “Deus rejeita as orações de líderes cujas mãos estão cheias de sangue”, em referência indireta ao conflito, o que marcou o início do embate público entre o Vaticano e Washington. Trump reagiu dias depois com ataques diretos, dizendo que o papa é “fraco” e deveria “se concentrar em ser um grande papa, não um político”. Em resposta, Leão 14 afirmou que não teme o governo americano e reiterou que continuará a se posicionar contra a guerra, defendendo o diálogo e o multilateralismo como caminhos para a paz. A escalada incluiu provocações adicionais do presidente, como a publicação de imagens geradas por inteligência artificial em que aparece associado a figuras religiosas, o que ampliou a repercussão do conflito. Em meio às críticas, Trump também reforçou sua posição sobre o Irã, afirmando que o país não pode ter armas nucleares, ainda que tenha dito que o papa é livre para expressar suas opiniões. Mesmo diante dos ataques, Leão 14 manteve o tom crítico e ampliou suas declarações em defesa da paz, condenando o que chamou de ciclo de violência e responsabilizando líderes políticos por perpetuar conflitos. As falas consolidaram um raro confronto direto entre um papa e um presidente americano em exercício, pano de fundo para novas divergências, agora também no campo migratório.
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