Começou nesta quinta-feira (23) o Festival Internacional de Chocolate, o Chocolat Amazônia, em Belém, no Pará. O evento reúne produtores de cacau e também toda a cadeia produtiva do fruto nativo da Amazônia. E é justamente a união entre produtores, empreendedores e especialistas do setor que faz o sucesso do evento. Foi assim, por exemplo, que Antônio Gonçalves aprendeu a fazer chocolate e não só a vender o cacau. O que hoje é o sustento da sua família na cidade de Novo Repartimento, no Pará. “A gente não sabia, não tinha o conhecimento do cacau. Antigamente, nós vendíamos só as favas de cacau. Depois nós começamos a fazer o chocolate, de 2020 pra cá. Eu vim aqui no evento em 2015 e a gente fez uns cursos lá na roça e fomos aprendendo a fazer. E hoje nós estamos com quatro máquinas trabalhando lá dentro da roça e a produção é nossa mesmo”, explica o produtor, que é proprietário, junto com sua família, da Cacau Gonçalves. Segundo Thaís Moraes, assistente administrativa da Ilha do Combu, uma das referências em produção de cacau no Pará, a relação familiar ainda é o foco da produção de chocolate no estado. “A empresa é familiar, mas conta com a ajuda dos ribeirinhos. A dona da marca, Dona Nena, é ribeirinha e continua morando lá”, explica. A produção agroecológica ainda engatinha na ilha, mas a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental são importantes para os produtores. “A gente precisa manter a floresta em pé para continuar produzindo essas delícias. Por isso, um evento como esse é muito importante que aconteça aqui na nossa região. É um modo de tornar mais visíveis as comunidades ribeirinhas daqui do nosso estado”, completa Moraes. O CEO do evento, Marcos Lessa, afirma que o desafio é fortalecer os produtores, a partir da sustentabilidade. “Nós estamos vivendo, de fato, um momento de muita celebração: a gente está celebrando a verticalização, celebrando a agregação de valor, uma demonstração do que o cacau é capaz de fazer, as vidas que é capaz de transformar”, explica. “Mas também é um momento de reflexão. É necessário que a gente faça uma revisão sobre o cacau como commodity. Não faz sentido nenhum você ter o cacau commodity. Nós temos que ter um produto que impacte positivamente na vida dos produtores, pagando melhor, estimulando a agroindústria e, principalmente, buscando o mundo. O mundo quer o cacau do Brasil, o mundo quer o cacau do Pará. O mundo não precisa de guerra, precisa de açaí, precisa de castanha, precisa de cacau”, completa o idealizador do evento. O estado do Pará é referência na produção de cacau, com a maior média de produtividade por hectare do mundo, segundo dados do relatório de previsão de safra da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap). A produtividade paraense chega a 847 kg por hectare, superando tanto a média nacional, de 483 kg/ha, quanto a do continente africano, maior produtor global, com média de 500 kg/ha. O Chocolat Amazônia, festival internacional de cacau e chocolate, segue até o dia 26 de abril, no Hangar Centro de Convenções de Belém. A entrada é gratuita, mediante a doação de 1kg de alimentos não perecíveis.
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