A primeira-dama brasileira, Rosângela da Silva, a Janja, reagiu às declarações do enviado especial para assuntos globais no governo de Donald Trump, Paolo Zampolli, de que mulheres brasileiras são “programadas para causar confusão.” Em entrevista a uma rede italiana, o conselheiro também se referiu às brasileiras como “putas” e “raça maldita”. “As mulheres brasileiras, com muita força e coragem, rompem, diariamente, ciclos de violência e de silenciamento”, escreveu Janja em publicação nas redes sociais. “Não somos programadas para nada. Somos pessoas com voz, com sonhos e lutamos diariamente para viver com dignidade e liberdade para ser quem quisermos.” A ex-ministra e pré-candidata ao Senado pelo Paraná, Gleisi Hoffmann (PT), também rebateu Zampolli nesta sexta-feira. Nas redes, Gleisi chamou o conselheiro de “misógino arrogante da extrema direita”. “Esse Paolo Zampolli, enviado especial do Donald Trump para assuntos globais, é o tipo de misógino arrogante da extrema direita. Quem cria confusão e guerras que afetam o mundo inteiro é o chefe dele. Respeite as mulheres, respeite as brasileiras! No Brasil você não é bem-vindo!”, escreveu a ex-chefe da articulação política do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “As mulheres brasileiras causam confusão com todo mundo, certo? Não é que essa foi a primeira”, disse ele na entrevista à rede italiana RAI e em referência à sua ex-mulher, a ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, com quem foi casado por quase 20 anos. O repórter italiano questionou se esta seria uma “questão genética” das brasileiras. Zampolli respondeu que não e afirmou que as “mulheres brasileiras são programadas”. “Para extorquir?”, questiona o jornalista. “Não, para causar confusão”, respondeu ele. Em nota, o Ministério das Mulheres também se manifestou contra a declaração de Zampolli, afirmando que as falas do funcionário do governo americano reforçam discursos de ódio. “O Ministério das Mulheres repudia veementemente a declaração ofensiva proferida pelo assessor especial do governo dos Estados Unidos, Paolo Zampolli, contra meninas e mulheres brasileiras. O assessor fez afirmações que reforçam um discurso de ódio e desvalorizam as mulheres do país, em afronta à dignidade e ao respeito.” “A misoginia não constitui opinião. Trata-se de manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, configurando prática criminosa”, diz ainda a nota. “Nesse sentido, o ministério ressalta que o ódio contra meninas e mulheres não pode ser relativizado sob o argumento da liberdade de expressão.”
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