A vencedora do Prêmio Nobel da Paz Narges Mohammadi, 54, foi transferida para um hospital em Teerã e teve a suspensão temporária de sua pena concedida “em troca de uma fiança considerável” , informou neste domingo (10) a fundação administrada por sua família. Mohammadi recebeu o Nobel da Paz em 2023 enquanto estava presa por sua atuação em defesa dos direitos das mulheres e pela campanha contra a pena de morte no Irã. Ela sofreu um infarto há duas semanas. Segundo comunicado divulgado pela Fundação Narges Mohammadi, a ativista deixou a prisão de Zanyán, no norte do Irã, após dez dias de internação e foi levada de ambulância à capital iraniana para receber atendimento de sua própria equipe médica. A fundação afirmou, porém, que a suspensão da pena não resolve a situação da ativista. “Uma suspensão não é suficiente”, disse a entidade, acrescentando que Mohammadi necessita de “cuidados permanentes e especializados”. “Devemos garantir que ela nunca retorne à prisão para cumprir os 18 anos restantes de sua sentença. Agora é o momento de exigir sua liberdade incondicional e o arquivamento de todas as acusações”, afirmou o comunicado. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo A nota não detalha o estado de saúde da iraniana, mas afirma que ela sofreu uma “deterioração catastrófica” de seu quadro clínico e não deveria voltar às condições prisionais que “destruíram sua saúde”. O advogado de Mohammadi, Mostafa Nili, escreveu em seu perfil no X que a suspensão da pena foi autorizada após avaliação da Organização de Medicina Legal do Irã. Segundo ele, o órgão concluiu que a ativista precisa de tratamento especializado fora da prisão devido a “múltiplas doenças”. O Comitê do Prêmio Nobel da Paz, que reconheceu em 2023 a trajetória de Mohammadi na luta pelo direito das mulheres no Irã, emitiu comunicado e disse estar alarmado com o estado de saúde de Narges. A ativista foi presa em dezembro de 2025, durante uma cerimônia em memória de um advogado na cidade de Mashhad, no leste do país. Antes, ela havia deixado a prisão temporariamente, também em dezembro de 2025, por questões médicas, após passar anos detida por sua luta por direitos humanos. Narges é perseguida por seu ativismo pelo regime clerical do Irã e já foi presa mais de dez vezes. Suas cinco condenações somam 31 anos de prisão e 154 chibatadas.
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