O projeto habitacional do Quilombo da Gamboa foi contemplado no edital Minha Casa Minha Vida Entidades, divulgado na última segunda-feira (15) pelo governo federal. A iniciativa foi criada em 2008 pela Central de Movimentos Populares (CMP), em parceria com a União de Moradia Popular (UMP) no Rio de Janeiro. O terreno do Quilombo da Gamboa foi o único da região portuária destinado à habitação popular. No local, está prevista a construção de um conjunto habitacional com 96 unidades. A CMP também foi contemplada com um imóvel na Praça da Bandeira, que passou a ser propriedade da União após transferência do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Ao todo, o edital destina 192 unidades habitacionais à entidade no Rio de Janeiro. “A gente está numa felicidade enorme. Já estamos há muitos anos na luta pelo Quilombo da Gamboa, e o prédio da Praça da Bandeira é incrível e tem uma localização fantástica”, celebrou Marcelo Braga Edmundo, um dos coordenadores da CMP. :: Quer receber notícias do Brasil de Fato RJ no seu WhatsApp? :: O coordenador do INCT Observatório das Metrópoles e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Orlando Santos Junior, compartilha da mesma emoção. “Essa aprovação representa o reconhecimento do papel que os movimentos populares desempenham na afirmação do centro do Rio de Janeiro como um território popular. Portanto, trata-se de uma vitória para todo o campo da reforma urbana e do direito à cidade. Ou seja, tem uma importância muito grande”, afirmou ao Brasil de Fato. O coordenador da CMP explica que a entidade ainda não foi informada pela Caixa Econômica Federal e pelo Ministério das Cidades sobre os próximos passos, incluindo o cronograma de execução das obras e o repasse dos recursos. No entanto, adianta que o projeto do Quilombo da Gamboa prevê apartamentos com dois quartos e cerca de 60 metros quadrados. “Reduzimos o número de unidades para que todas tivessem dois quartos”, conta. Já o prédio da Praça da Bandeira precisará passar por reformas. “O imóvel está vazio e pretendemos que esse projeto tenha uma dimensão de reparação racial na seleção das famílias, porque elas têm esse perfil. Além disso, trata-se de um prédio localizado em uma área central e bem estruturada”, afirmou Santos Junior, em referência à parceria da CMP com o Observatório das Metrópoles.
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