Na última terça-feira (23), foi lançada a iniciativa chamada “Desafio contra as bets”, criada pelo Projeto Brief, ligada à organização da sociedade civil Quid, na intenção de premiar influenciadores e comunicadores digitais que criarem os melhores conteúdos alertando para os malefícios das apostas online. Afinal, enquanto a Copa do Mundo avança, com surpresas e emoções, fora dos gramados uma disputa fica cada vez mais evidente: a luta contra a avalanche de propagandas e financiamento de programas esportivos por casas de apostas, as bets. Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, a antropóloga Carol Luck aponta que a indústria das apostas online, neste momento, atinge seu ápice e ficou impossível de ignorar. “O Brasil inteiro está acompanhando a Copa do Mundo e, em todas as transmissões de jogos que a gente tem visto, a gente vê não apenas a propaganda dessas bets, mas a indução, a aposta com os odds, que eles chamam ali em determinados momentos da partida em que a chance do apostador se multiplica, mas essa é uma chance de ganhar ou perder uma aposta. A gente entendeu que era muito importante criar uma mobilização para alertar as pessoas sobre o risco dessa indústria, que está sendo vendida como entretenimento, inclusive como investimento, quando, na verdade, isso é um jogo de azar e, portanto, é responsável pela ruína e pelo endividamento de milhões de famílias no Brasil”, explica. Luck conta que diversas organizações da sociedade civil estão engajadas na campanha e que, juntas, conseguiram angariar o valor de R$ 100 mil em prêmios. Ela explica que há categorias distintas na premiação e que o tamanho do perfil não importa. “Pode ser perfil pequeno, perfil grande, para alertar as pessoas sobre os riscos dessa indústria nociva das apostas. Então, a gente tem ali quatro categorias: com foco em narrativa, conteúdo; tem categoria que é com foco na temática do futebol, da relação do futebol e da Copa do Mundo com as bets; tem categoria que é para criação de conteúdo com uso de inteligência artificial. Enfim, dá para pensar em bastante coisa e o objetivo final é realmente gerar essa mobilização digital para que essa informação, dos riscos dessa indústria, chegue a mais gente”, aponta. No Brasil, o vício em apostas já é tratado como um problema de saúde pública e os números chocam. Além do evidente impacto no endividamento das famílias, segundo o Ministério da Saúde, a procura por atendimento em saúde mental relacionado ao vício em apostas online no Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu quase 140% em cinco anos. Carol Luck também analisa o potencial de viralização de canais que têm usado as bets como principal fonte de financiamento, como a Cazé TV, que é a bola da vez, e exemplifica esse poder com um episódio recente envolvendo o goleiro de Cabo Verde. “O goleiro Vozinha era um jogador que tinha cerca de 40 mil seguidores no Instagram e que, depois de uma campanha da Cazé TV, já alcançou mais de 18 milhões de seguidores. Se eles fazem isso com o jogador, o quanto essas propagandas de bets não estão recrutando pessoas para apostar nessas indústrias, com eles divulgando isso a cada cinco minutos? É um momento de acúmulo de leads, como eles chamam. As pessoas estão se cadastrando, fica o QR code o dia inteiro, a transmissão inteira aparecendo na tela. A gente entende que isso vai se transformar numa bola de neve, que esse é o momento mais importante para a gente falar disso”, argumenta. Para mais informações sobre a campanha, acesse o link do Projeto Brief. Para ouvir e assistir O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 7h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
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