O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (29) que as autoridades iranianas pediram uma reunião que, segundo ele, será realizada na terça-feira em Doha. A declaração ocorre poucas horas depois de Teerã negou qualquer encontro com autoridades de Washington. O Qatar atua como mediador, ao lado do Paquistão, nas conversas entre os dois países para tentar pôr fim à guerra no Oriente Médio. “O Irã pediu uma reunião. Ela acontecerá amanhã em Doha”, escreveu Trump em um sua plataforma Truth Social. Mais cedo nesta segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Irã negou nesta segunda-feira (29) que representantes de Teerã e Washington se reuniriam nos próximos dias no Qatar para negociações técnicas, como informou a imprensa dos EUA.”Não há reuniões técnicas dos grupos de trabalho previstas para esta semana”, afirmou o vice-ministro da pasta, Kazem Gharibabadi, citado pela televisão estatal. Mais cedo, uma pessoa com conhecimento das tratativas havia dito à Reuters que as equipes técnicas encarregadas da implementação do memorando de entendimento deveriam se reunir ainda nesta semana. Gharibabadi acrescentou que as consultas entre Irã e Qatar sobre os compromissos assumidos pelos EUA seguem conforme o previsto, mas ressaltou que as reuniões do grupo de trabalho técnico em Doha ainda não foram confirmadas. A mais recente disputa de versões ocorre após um fim de semana marcado por ataques mútuos que colocaram em xeque o frágil acordo para pôr fim ao conflito. Washington e Teerã assinaram em 17 de junho um memorando de entendimento de 14 pontos com o objetivo de encerrar a guerra de quatro meses. Pelo acordo, os dois lados concordaram em cessar os ataques e reabrir o estreito de Hormuz. O fechamento da via marítima fez os preços do petróleo dispararem para mais de US$ 100 (R$ 516) por barril, provocando uma nova alta da inflação global e criando um problema político para Trump, ao elevar os preços dos combustíveis poucos meses antes das eleições legislativas de meio de mandato. O acordo abre caminho para 60 dias de negociações mais aprofundadas sobre questões mais delicadas, como o programa nuclear iraniano, embora os dois lados tenham apresentado versões divergentes sobre o que foi efetivamente acertado. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta segunda-feira que US$ 6 bilhões (R$ 30,9 bilhões) dos US$ 12 bilhões (R$ 61,9 bilhões) em ativos iranianos congelados no Qatar serão liberados em decorrência do acordo e devolvidos ao país, informou a imprensa estatal iraniana. Ele acrescentou que o entendimento recente suspendeu as sanções aos setores de petróleo e petroquímica do Irã, classificando o resultado como “uma grande vitória para o povo iraniano”. Um funcionário do governo dos EUA também disse à Reuters no domingo (28) que as duas partes concordaram em interromper os ataques. “Pode chegar um momento em que não conseguiremos mais agir com razoabilidade e seremos obrigados a concluir militarmente o trabalho que iniciamos com muito sucesso”, escreveu Trump nas redes sociais. “Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir.” Cerca de uma hora após a publicação de Trump, o Exército do Kuwait informou que seus sistemas de defesa aérea responderam a ataques com mísseis e drones, enquanto o Bahrein informou que sirenes foram acionadas no país. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que suas forças navais e aéreas lançaram operações com mísseis e drones contra instalações militares americanas no Kuwait e no Bahrein. Horas depois, alarmes voltaram a soar no Bahrein, onde as autoridades informaram que um ataque iraniano danificou um edifício residencial. O país pediu ao Conselho de Segurança da ONU que realize uma sessão de emergência. Enquanto isso, o presidente do Parlamento do Líbano, Nabih Berri, importante aliado do Hezbollah, criticou um acordo mediado pelos Estados Unidos entre Líbano e Israel destinado a interromper o conflito paralelo entre os dois países. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Berri afirmou nesta segunda-feira que o acordo poderia abrir caminho para tentativas de dividir os libaneses e disse que ele não será implementado. Teerã afirma que o fim do conflito no Líbano e a retirada das tropas israelenses do sul do país são partes integrantes de qualquer acordo com os EUA para encerrar a guerra. Israel informou no domingo que atacou posições do Hezbollah, destruindo infraestrutura subterrânea. A ofensiva ocorreu após outro ataque no sábado, poucos dias depois do mais recente acordo de cessar-fogo firmado.
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