“Trata-se, acima de tudo, de salvar a Revolução”, assegura o presidente cubano Nesta semana, durante a última reunião do Conselho de Ministros, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reforçou a situação em que o país se encontra. “Estamos diante de um dilema complexo que precisamos resolver: como dar continuidade ao processo de construção socialista em uma pequena ilha do Caribe submetida ao bloqueio mais prolongado da história da humanidade pela potência mais poderosa do mundo.” O presidente sustentou que Cuba atravessa uma “guerra multidimensional” e afirmou que as medidas recentemente adotadas respondem “ao que cabe fazer pelas gerações que estão defendendo a Revolução”. Durante o encontro, foi definida a folha de rota para a implementação das 176 medidas aprovadas recentemente. Trata-se de um pacote de iniciativas legislativas que modifica de forma substancial a estrutura social e econômica do país. Em meio às crescentes dificuldades enfrentadas pela ilha em razão do impacto da crise, Díaz-Canel insistiu que a participação da população será determinante para o sucesso das transformações. “Não vamos conseguir implementar bem as transformações se a população não participar”, advertiu. Além disso, instou as autoridades e os funcionários a explicarem cada uma das decisões e a ouvirem novas propostas sempre que necessário. “Nós não temos uma discussão encerrada; talvez alguém nos proponha algo melhor do que conseguimos construir até agora e, onde não houver compreensão, é preciso explicar o porquê e ouvir.” O anúncio das medidas — que abre as portas ao capital privado de forma inédita — gerou um amplo debate dentro e fora da ilha. O próprio presidente já havia reconhecido, em declarações anteriores, que se tratava de reformas que não contavam com um “consenso absoluto”. Também reiterou a necessidade de que o processo se desenvolva com regras claras e mecanismos de controle. “As regras de tudo o que vamos fazer precisam estar claras; deve haver transparência para que possamos controlar, do ponto de vista popular e institucional, tudo o que fizermos”, afirmou. Por fim, voltou a defender que as reformas têm como objetivo “liberar as forças produtivas” para gerar riqueza e distribuí-la “com justiça social”. “É preciso explicar como cada transformação contribui para a construção socialista; como contribuirá para o crescimento econômico e o desenvolvimento social; como permitirá ampliar a riqueza que será distribuída com justiça social e melhorar a situação daqueles que se encontram em maior vulnerabilidade; e como cada transformação fortalecerá ainda mais o respeito aos direitos de todas as cubanas e de todos os cubanos em nossa sociedade.”
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