Marcas de tiros após um tiroteio em Anderlecht, na região de Bruxelas, nesta terça-feira (25). (Foto: OLIVIER MATTHYS/EFE/EPA)
O governo da Bélgica decidiu declarar situação de emergência nacional diante da nova onda de tiroteios ligados ao narcotráfico em Bruxelas. A capital registrou seis ataques armados em apenas quatro dias, em uma escalada que levou o governo federal a ampliar a presença policial nas ruas e reforçar operações contra o crime organizado.
Segundo o ministro do Interior, Bernard Quintin, a sequência de ataques exige uma resposta coordenada entre diferentes níveis de governo. Em mensagem divulgada nas redes sociais, ele afirmou que o combate ao crime organizado deve se tornar uma prioridade absoluta das autoridades belgas.
De acordo com informações da rede RTL, o governo belga criou um pacote de segurança que prevê o envio de um pelotão adicional de infantaria para Bruxelas, o reforço das unidades especiais da Polícia e da Polícia Judiciária Federal da capital, além da ampliação de operações já conduzidas pelas forças de segurança.
Quintin afirmou que o aumento da presença federal é necessário para impedir que o governo continue reagindo apenas depois dos ataques. Segundo ele, a prioridade agora é ampliar a capacidade de atuação no terreno e responder com mais rapidez à violência relacionada ao tráfico de drogas.
Conforme informações da imprensa local, os seis tiroteios registrados em quatro dias elevaram para 65 o número de ataques armados contabilizados desde o início do ano em Bruxelas, igualando o total registrado durante todo o ano anterior.
Parte dos episódios é atribuída pelas autoridades a disputas entre grupos envolvidos no tráfico de drogas. A escalada aumentou a pressão de autoridades locais sobre o governo federal. Prefeitos das áreas afetadas pelo crime organizado se reuniram com Quintin e reclamaram da falta de recursos, defendendo uma atuação mais ampla de Bruxelas no combate às organizações criminosas. Segundo a emissora BX1, eles argumentaram que a situação deixou de ser apenas um problema local e passou a exigir uma resposta nacional.
Os prefeitos também consideraram insuficiente o reforço atual da Polícia Federal e chegaram a discutir a possibilidade de solicitar formalmente uma intervenção mais ampla de agentes federais em situações de ameaça grave à ordem pública.
A violência ligada ao tráfico já vinha aumentando antes da nova onda de ataques. Segundo o jornal Brussels Times, a capital já havia registrado 57 tiroteios relacionados ao narcotráfico nos primeiros meses de 2026, com duas mortes e 21 pessoas feridas. Em todo o ano de 2025, a polícia federal contabilizou 101 tiroteios, que deixaram oito mortos e 43 feridos.


