Justiça francesa investiga cinco suspeitos de usar ONGs e criptomoedas para financiar o Hamas. (Foto: Mohammed Saber/EFE/EPA)
A Justiça da França investiga uma rede suspeita de arrecadar dinheiro para o grupo terrorista Hamas por meio de ONGs que se apresentavam como organizações de ajuda humanitária à população da Faixa de Gaza. Cinco pessoas foram indiciadas em Paris na sexta-feira (2) no âmbito deste caso, acusadas de envolvimento no financiamento do terrorismo, lavagem de dinheiro e abuso de confiança. Segundo as autoridades francesas, parte das doações teria sido enviada diretamente ao Hamas por meio de criptomoedas.
A investigação começou depois que autoridades dos Estados Unidos alertaram a França sobre movimentações financeiras ligadas a duas ONGs que arrecadavam doações para Gaza. De acordo com o jornal francês Le Parisien, os investigadores suspeitam que cerca de 1 milhão de euros tenha sido destinado ao Hamas entre setembro de 2024 e julho deste ano. As arrecadações ocorreram principalmente nas regiões de Saint-Étienne e Gironde.
Entre os investigados estão Faouzi Barika e Amel Oualid, ligados às ONGs Baraka e Ensemble C Mieux. Segundo o Departamento do Tesouro americano, os dois arrecadavam dinheiro alegando que os recursos seriam usados para ajudar civis palestinos atingidos pela guerra. Parte dos valores, porém, teria sido transferida para Saleem Abdallah Saleem al-Zaq, apontado pelos EUA como integrante do braço armado do Hamas na Faixa de Gaza.
As autoridades americanas afirmam que Al-Zaq utilizava contas financeiras e carteiras de criptomoedas para receber os recursos e encaminhá-los às Brigadas Al-Qassam, braço militar do grupo terrorista. Ele também divulgava nas próprias redes sociais campanhas de arrecadação mantidas pelas associações francesas.
Na sexta-feira, o governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra Al-Zaq, Barika, Oualid e as duas associações. Segundo o Tesouro americano, a rede arrecadou mais de US$ 2 milhões entre 2020 e 2026. Desse total, US$ 1,5 milhão teria sido obtido depois dos ataques terroristas do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023.
As autoridades francesas também detiveram suspeitos durante a investigação, entre eles os responsáveis pelas duas ONGs e o irmão de Faouzi Barika. A Promotoria Nacional Antiterrorista pediu a prisão preventiva dos dirigentes das associações. Faouzi foi mantido preso após comparecer novamente à Justiça nesta terça-feira (6). Já Oualid ficou em liberdade sob supervisão judicial, assim como outros três indiciados.
A defesa de um dos suspeitos afirmou à imprensa francesa que seu cliente participou apenas de arrecadações para fins humanitários e contestou a prisão. As acusações ainda serão examinadas pela Justiça.


