Investigadores russos detiveram o editor-chefe do jornal Novaia Gazeta, Sergei Sokolov, após revistarem sua residência e interrogá-lo. Ele foi libertado após prestar depoimento. O Novaia Gazeta, historicamente uma referência do jornalismo independente na Rússia, é classificado como “agente estrangeiro” pelas autoridades. Desde o envio de tropas à Ucrânia, o Kremlin impôs níveis de censura à imprensa comparáveis aos da União Soviética, o que forçou o exílio da grande maioria dos jornalistas independentes. O Novaia Gazeta comunicou que Sokolov foi interrogado no âmbito de uma investigação relacionada ao seu jornalista investigativo Oleg Rolduguin, detido desde abril sob acusação de “acesso ilegal a informações do governo”. Segundo o jornal, o editor-chefe foi levado ao Comitê de Investigação de Moscou e deixou a delegacia na “condição de testemunha”. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras pediu a Moscou que “ponha fim ao assédio judicial” contra os jornalistas do Novaia Gazeta. “Esta última ofensiva busca silenciar uma das poucas vozes do jornalismo independente que ainda atuam na Rússia”, afirmou a entidade. Sokolov é um editor veterano do jornal, cujas instalações são muito menores do que eram antes da guerra da Ucrânia, iniciada em 2022. Ele já havia sido detido em 2024 e processado por “desacreditar as Forças Armadas” em decorrência de uma reportagem. A Redação e as atividades do veículo foram reduzidas após a imposição da censura militar, no início da ofensiva russa em larga escala na Ucrânia, em fevereiro de 2022. No entanto, o Novaia Gazeta continua em atividade, principalmente na internet. A classificação como “agente estrangeiro”, imposta pelas autoridades russas, obriga o veículo a cumprir rigorosas exigências administrativas e é utilizada pelo Kremlin para reprimir seus críticos. Dmitri Muratov, cofundador da Novaia Gazeta, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2021, ao lado da jornalista Maria Ressa, das Filipinas. À época o comitê norueguês da premiação descreveu o veículo como o mais independente da Rússia.
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