A Alemanha juntou-se, nesta quinta-feira (12), à França para pedir a renúncia da relatora especial da ONU para os territórios palestinos, Francesca Albanese, devido a recentes declarações sobre Israel. Durante uma reunião de videoconferência em um fórum organizado em Doha, no Qatar, pela emissora Al Jazeera, Albanese falou de um “inimigo comum” que, segundo ela, permitiu um “genocídio” em Gaza. “O fato de que, em vez de deter Israel, a maioria dos países do mundo o tenha armado, tenha lhe fornecido desculpas políticas, um guarda-chuva político e também apoio econômico e financeiro é um desafio”, afirmou a advogada italiana. “Nós, que não controlamos grandes quantidades de capital financeiro, algoritmos nem armas, agora vemos que temos um inimigo comum enquanto humanidade.” Para a Alemanha, esses comentários são impróprios para o cargo. “Albanese já havia cometido vários excessos no passado. Condeno as suas recentes declarações sobre Israel. Ela não pode continuar em seu cargo”, afirmou no X o ministro alemão das Relações Exteriores, Johann Wadephul. “A França condena sem reservas as palavras ultrajantes e irresponsáveis da senhora Albanese, que miram não o governo israelense, cuja política pode ser criticada, mas Israel enquanto povo e enquanto nação”, afirmou o chanceler francês, Jean-Noel Barrot. Segundo ele, Paris deve pedir a demissão da relatora na próxima reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em 23 de fevereiro. Albanese defende-se do que classifica de “acusações falsas” e assegura que suas palavras foram manipuladas. Ela publicou um vídeo com o trecho completo de sua fala. Questionada sobre o caso pelo canal France 24, Albanese declarou: “Nunca, nunca, nunca disse ‘Israel é o inimigo comum da humanidade’”. “Falei dos crimes de Israel, do apartheid, do genocídio e condenei como inimigo comum o sistema que não permite levar à justiça e pôr fim aos crimes de Israel”, acrescentou. A associação francesa Juristas pelo Respeito do Direito Internacional também repudiou os ataques à relatora e afirmou que as acusações e o pedido de renúncia “constituem uma grave violação do princípio de independência dos mecanismos da ONU”, além de colocar em questão a difusão de informações manipuladas. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O grupo indicou ter apresentado uma queixa ao procurador da República de Paris uma vez que as afirmações atribuídas a Albanese podem “constituir o delito previsto por lei em matéria de difusão de notícias falsas”.
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