Para Ana Prestes, desintegração é coordenada e construída principalmente por meio do Escudo das Américas Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei | Crédito: Saul Loeb/AFP No encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, inevitavelmente, o tema de Cuba, que vive um processo de asfixia energética promovida pelos EUA, foi tratado. O brasileiro chegou a declarar que acredita ter ouvido do estadunidense que ele não pretende invadir Cuba. Ao menos não nos moldes em que realizou o ataque à Venezuela. A analista internacional Ana Prestes, contudo, pondera que é difícil dar crédito às declarações de Trump e destacou a ausência no encontro do chefe de Estado, Marco Rubio, que é a pessoa responsável pelas relações com hemisfério sul, América Latina e, em especial, Cuba. “Eles [EUA] acabaram de emitir nova ordem executiva com relação a autoridades cubanas com mais restrições e sanções, aprofundando o bloqueio. E a gente sabe que o Trump é imprevisível e imponderável”, afirma em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Prestes avalia que o cenário em Cuba não parece ser de qualquer melhora e que a cooperação com Cuba é fundamental, mas apresenta obstáculos. Um deles, inclusive, diz respeito ao temor de empresas em serem prejudicadas no mercado internacional caso colaborem com a ilha. “Cuba conta com a solidariedade de muitos países, inclusive do Brasil, que tem cooperação na área farmacêutica e agrícola. Alguns países têm se posicionado de forma mais enfática, como a Rússia, que furou esse bloqueio e enviou petróleo para ser refinado. Eu estive em Cuba recentemente e está tendo uma virada energética em Cuba que agora tem adotado as placas fotovoltaicas”, relata. “Contudo, há empresas que não querem ficar com o carimbo de que fizeram comércio com Cuba. Nós temos um problema com a Petrobras, que é uma estatal de economia mista. Ou seja, por enquanto, só os russos mesmo é que peitaram e atravessaram o bloqueio, e os chineses com relação a alimentos e as placas”, explica. Ana Prestes. A analista destaca que a fragmentação na América Latina é uma questão a ser resolvida, com governos como o de Javier Milei, na Argentina, muito alinhado a Trump, e que isso enfraquece as forças progressistas no continente. “Pelo menos 12 países estiveram naquele Escudo das Américas. O Paraguai se encaminha para virar uma base militar [dos EUA]. Honduras vive um golpe ainda em processo e Equador tem sido usado para desestabilizar a Colômbia”, menciona. “Eles usam o discurso de que toda a América Latina é uma ameaça à segurança nacional dos EUAPara Ana Prestes, desintegração é coordenada e construída principalmente por meio do Escudo das Américas, avalia. Para ouvir e assistir O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
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