Nesta quinta-feira (6), o Vox pediu ao governo espanhol que exija que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) exclua Marrocos da organização da Copa do Mundo de 2030, tendo em conta os “ataques extraordinariamente graves e hostis à soberania nacional e à integridade territorial de Espanha” em Ceuta. Espanha, Marrocos e Portugal tinham sido escolhidos para sediarem a Copa do mundo de 2030. Agora, o partido de extrema-direita espanhol se junta à coligação de esquerda Sumar e ao português Livre, em protesto contra a ‘crise migratória’ em Ceuta. No entanto, o Vox foi mais longe e afirmou ter “sérias dúvidas” sobre a capacidade de Marrocos em participar na organização de um evento como a Copa e considerou que, se não for expulso, a situação seria uma “humilhação deliberada” para Espanha. Além disso, pediu também “total transparência e objetividade” em relação à participação de Marrocos, após terem surgido relatos de que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, teria oferecido a final do campeonato ao país do norte de África em troca de apoio eleitoral. A informação foi, entretanto, desmentida pela entidade. “Um acontecimento desta magnitude exige que os Estados anfitriões ofereçam garantias plenas de segurança e estabilidade, além de manterem uma relação de confiança, cooperação e lealdade mútua”, referiu o Vox, defendendo que estas condições foram “violadas” após a “intolerável invasão do território espanhol por mais de 80 mil marroquinos em Ceuta”. Vox junta-se ao Sumar e português Livre Em Portugal, o Livre enviou uma carta ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, apelando a que manifeste publicamente a oposição do Governo português “à manutenção de Marrocos como país parceiro para a Copa do Mundo de Futebol em 2030”. “Percebendo a sensibilidade do assunto, esperamos que a diplomacia e contato com a Real Federación Española de Fútbol e o governo espanhol seja feita tão rapidamente quanto possível, de modo a tomar uma decisão que não impacte a organização do campeonato e o papel organizativo da Portugal e Espanha”, dizem os deputados do Livre. Já na Espanha, o partido Sumar pediu também que Marrocos seja afastado organização conjunta do Mundial, invocando violações de direitos humanos após a entrada massiva de migrantes na fronteira de Ceuta. Através de uma moção não vinculativa, os quatro deputados signatários – três dos quais pertencentes à Esquerda Unida – pediram ao governo espanhol a comunicar formalmente à FIFA, à federação espanhola e ao Executivo português a necessidade de rever o modelo de organização conjunta da competição. Na proposta, o Sumar argumentou que um evento desta dimensão implica uma significativa mobilização de recursos públicos e compromissos assumidos pelos Estados, exigindo dos países anfitriões um “respeito efetivo e contínuo pelos direitos humanos, pelo direito internacional e pelos princípios democráticos”. No documento, o grupo parlamentar exigiu ainda a realização de um estudo independente sobre os riscos para os direitos humanos nos países anfitriões, a apresentar ao Congresso no prazo de seis meses, acompanhado de propostas de ação caso se confirmem violações graves. Vale destacar que, além da organização em Portugal, Espanha e Marrocos, a Copa do Mundo de 2030 incluirá também três jogos comemorativos no Uruguai, na Argentina e no Paraguai, assinalando o centenário da primeira edição da prova, disputada em Montevidéu, em 1930. Leia Também: Ebola avança na República Democrática do Congo e já deixa 1.751 mortos
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