Assinatura não garante implementação da proposta, que será votada no Parlamento Europeu e nos congressos do Mercosul Está agendada para este sábado, em Assunção, no Paraguai, a assinatura do Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia, proposta de livre comércio com potencial de integrar um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas. Nos últimos dias, o avanço das negociações rumo à aprovação da proposta gerou uma onda de protestos liderada por agricultores na França e questionamentos sobre as desvantagens do acordo para os países do Mercosul. O presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), defensor do tratado, não participará da cerimônia de assinatura, que está marcada para às 12h (mesmo horário de Brasília), no teatro José Asunción Flores, do Banco Central paraguaio. Além do presidente anfitrião, Santiago Peña, participarão do evento Yamandú Orsi, do Uruguai, e o presidente argentino, Javier Milei. O Brasil será representado na cerimônia pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Na sexta-feira (16), Lula esteve em reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro. Na ocasião, falaram sobre o acordo. Após o encontro, Lula afirmou, em declaração à imprensa, que o tratado é “muito bom, sobretudo, para o mundo democrático e para o multilateralismo”. Von der Leyen elogiou o papel do petista nas negociações e disse que o tratado “envia uma mensagem contundente: “Este é o poder da cooperação e da abertura. […] E é assim que criamos verdadeira prosperidade”. A assinatura do documento, realizada neste sábado, não encerra o processo de implementação da proposta. Para entrar em vigor, o texto precisará ser ratificado pelos parlamentos europeus e nos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul. Protestos Em debate há mais de 25 anos, o Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia é questionado por agricultores franceses que, há mais de uma semana, realizam protestos pelo país. Na última quinta-feira (15), eles fecharam as ruas de Paris, com centenas de tratores, em resistência ao acordo. “De maneira geral, hoje, ser agricultor, na França, é um dos trabalhos mais precários. Agricultores às vezes ganham muito menos do mínimo de renda básica de subsistência”, explica a cientista política Florence Poznanski, em entrevista ao Brasil de Fato. Ela acredita que a pressão do setor foi responsável para o posicionamento do presidente da França, Emmanuel Macron, contrário ao acordo. Além dele, os líderes da Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria votaram contra. A Bélgica se absteve. Para ela, um dos riscos aos países latinos é a perpetuação dessas áreas como produtoras e exportadoras de commodities, como soja e carne bovina, no caso do Brasil; e receptora do que é descartado pela Europa. “Essas commodities a baixos preços e a altos custos ambientais, porque causam muitos danos ambientais e sociais, chegariam no mercado europeu, destruindo ainda mais a estabilidade dos agricultores e campesinos europeus”, alerta Poznanski.
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