Encontro realizado na Fazenda Sucupira, em Valença, reuniu produtores para demonstrações práticas sobre controle do pH da calda do Ethrel e medidas de manejo para prevenir doenças nos plantios de cravo-da-índia

A Associação dos Produtores de Cravo-da-Índia da Bahia (Aprocravo) realizou, no dia 19 de setembro, o Dia de Campo 2026, na Fazenda Sucupira, em Maricoabo, distrito de Valença. Com o tema “Explorando novas tecnologias e práticas sustentáveis no agronegócio”, a atividade reuniu produtores para demonstrações práticas e compartilhamento de conhecimentos voltados à melhoria da produtividade e à preservação dos craveiros.
A programação teve como destaque o controle do pH da calda do Ethrel, produto utilizado no processo de colheita do cravo-da-índia, além da apresentação de uma medida de manejo destinada à proteção dos troncos contra a entrada de fungos. As demonstrações buscaram incentivar a adoção de procedimentos técnicos nas propriedades rurais, com atenção à eficiência do cultivo e à redução das perdas na produção.
Márcio Braga, presidente da APROCRAVO
O presidente da Aprocravo, Márcio Antônio Braga Queiroz, destacou que a iniciativa ganhou força a partir dos resultados observados por produtores que já adotavam o controle do pH no preparo da calda desde o ano anterior. Segundo ele, a experiência positiva despertou o interesse de outros agricultores, como o proprietário da Fazenda Sucupira, Marcos Ramatis das Neves Porto, que procurou conhecer melhor a técnica.
“Com base nisso é que as coisas vão mudando. O produtor vê o resultado positivo do outro e passa a buscar conhecimento para mudar sua realidade”, afirmou Márcio, ao ressaltar a importância de aproximar os agricultores dos conhecimentos desenvolvidos por pesquisadores e profissionais da área.
Durante a explicação técnica, Márcio detalhou as etapas do preparo da calda do Ethrel. Segundo ele, o primeiro passo é medir o pH da água utilizada na propriedade, que, conforme relatou, costuma variar entre 5,5 e 6,5 na região. Para reduzir esse índice, ele destacou o uso do P50, um adubo foliar que também apresenta ação redutora de pH. Após essa etapa, o Ethrel é adicionado e, em seguida, o pH é elevado com bicarbonato de sódio até atingir a faixa de 4,2 a 4,5, apontada pelo presidente da Aprocravo como adequada à eficiência do produto.







Márcio ressaltou que as quantidades dos componentes devem ser calculadas de acordo com o volume de água utilizado e o pH inicial de cada fonte. Ele também explicou que o controle permite reduzir a dosagem de Ethrel aplicada pelos produtores. De acordo com os números apresentados por ele, o uso passou de 70 para 35 mililitros por mil litros de água.
Outro ponto abordado no encontro foi o manejo preventivo de doenças que vêm comprometendo os plantios de cravo-da-índia na região. Durante a demonstração, foi apresentado um procedimento de proteção do tronco com tinta látex misturada a fungicida, aplicado na região próxima ao colo da planta, onde ocorre a transição entre o caule e as raízes.
Segundo Márcio, a medida integra um conjunto de ações de manejo voltadas à proteção dos craveiros. Ele alertou que ferimentos provocados por ferramentas agrícolas, como facões e roçadeiras, podem criar pontos de entrada para agentes causadores de doenças. Por isso, destacou a importância de reduzir danos à casca e adotar cuidados preventivos no cultivo.
Anfitrião Marcos Ramatis, produtor de cravo de Valença
Anfitrião da atividade, Marcos Ramatis das Neves Porto afirmou que o encontro teve como objetivo levar aos produtores os conhecimentos e procedimentos desenvolvidos por pesquisadores, incentivando sua aplicação nas propriedades. Para ele, a adoção das técnicas é fundamental para melhorar a produtividade e reduzir a mortalidade das plantas.
“O manejo é quem resolve, é quem pode salvar hoje a cultura do cravo”, declarou Ramatis, ao defender que o conhecimento técnico seja transformado em práticas efetivas no campo.
Erik, produtor de cravo de Ituberá
O produtor Erik, do município de Ituberá, na região de Santa Luzia, onde possui o lote 45, também participou da atividade em busca de novos conhecimentos. Ele destacou a importância da capacitação para reduzir custos e incorporar tecnologias à produção agrícola.
“Hoje eu vim tomar esse curso. A experiência aqui é economia e tecnologia para nós continuarmos na agricultura moderna e salvar o cravo”, afirmou.
O Dia de Campo reforçou a importância da troca de experiências entre produtores e da aplicação de conhecimentos técnicos como estratégias para enfrentar os desafios da cultura do cravo-da-índia no Baixo Sul da Bahia. A iniciativa também evidenciou a necessidade de combinar medidas de eficiência no uso de insumos com práticas de manejo voltadas à proteção das plantas e à continuidade da atividade produtiva.


