A Associação Cubana das Nações Unidas (ACNU) realizou o 21º Fórum da Sociedade Civil Cubana contra o Bloqueio, na última sexta-feira (24). O encontro, realizado na emblemática Casa de las Américas, reuniu cerca de uma centena de representantes de organizações sociais, centros científicos e associações de pessoas com deficiência, com o objetivo de denunciar e refletir sobre as consequências humanas, sociais e econômicas que a política sustentada de hostilidade dos Estados Unidos provoca na vida cotidiana da população da ilha. A atividade faz parte das ações que a sociedade civil cubana realiza anualmente em preparação para a votação, na Assembleia Geral da ONU, da resolução que exige o fim do bloqueio, que, neste ano, acontecerá na próxima quarta-feira (29). Durante a cerimônia de abertura, a presidente da ACNU, Norma Goicochea, afirmou que a política de bloqueio dos Estados Unidos é contrária “aos princípios e propósitos estabelecidos na Carta da ONU” e que, ao buscar explicitamente gerar fome e carências na vida do povo cubano, constitui um “ato de genocídio”. Diante de cerca de cem pessoas, foram realizados três painéis de análise que abordaram os efeitos do bloqueio em diferentes áreas críticas. O primeiro tratou da segurança alimentar; o segundo, das pessoas com deficiência; e o terceiro, do sistema de saúde pública. Por meio desses espaços, os participantes trocaram experiências concretas sobre o impacto que as sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos têm no dia a dia da população. Em conversa com o Brasil de Fato, Norma Goicochea destacou a importância do fórum como um espaço que, diante de uma política que “afeta de maneira integral o país”, busca demonstrar “o impacto devastador que ela tem sobre a população”.“Nós acreditamos na importância de que a sociedade civil se reúna, porque o bloqueio afeta o país de maneira integral”, afirmou a presidente da ACNU. Ela também ressaltou o caráter representativo dos participantes do encontro. “Reuniram-se sociedades científicas, associações e entidades de pessoas com deficiência, associações camponesas, entidades vinculadas à agricultura e à produção de alimentos, assim como projetos comunitários que realizam trabalhos sociais. E em todos os casos pudemos ouvir como o bloqueio agride de forma transversal os direitos de toda a população cubana.” Goicochea afirmou que o fórum é um espaço onde se evidencia o efeito do bloqueio sobre direitos básicos como saúde, educação e alimentação. “Hoje ouvimos médicos relatarem o número de pessoas que estão em filas esperando poder receber uma cirurgia, ou como pessoas morrem porque não se consegue acesso a materiais ou medicamentos necessários por causa do bloqueio”, exemplificou. “O governo dos Estados Unidos sabe perfeitamente que está afetando a população cubana”, declarou. Anualmente, Cuba apresenta à Assembleia Geral da ONU um projeto de resolução intitulado A necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba. A resolução sustenta que o bloqueio é uma política que constitui uma violação dos direitos humanos da população cubana, além de violar o direito internacional ao sancionar terceiros países que mantêm vínculos com a ilha caribenha. Desde 1992, a resolução tem sido aprovada de forma quase unânime, com as únicas rejeições dos Estados Unidos e do Estado de Israel, que todos os anos votam contra, junto a algum aliado ocasional. O relatório que acompanha a resolução deste ano estima que os danos causados pelo bloqueio, apenas entre março de 2024 e fevereiro de 2025, somam 7,5 bilhões de dólares. Trata-se de recursos que Cuba — um dos países que mais investe em políticas sociais — se vê impedida de utilizar em benefício daqueles que mais precisam.
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