Ao menos 11 pessoas morreram após ataques de Israel no sul do Líbano neste sábado (15), informou a agência estatal de notícias e o Ministério da Saúde libaneses. Sete pessoas morreram, “incluindo três crianças e duas mulheres”, quando aviões de guerra de Israel atingiram uma casa no vilarejo de Ansar, no sul do país, informou o ministério. Outras quatro foram mortas e 17 ficaram feridas em um bombardeio ao vilarejo de Deir El Zahrani, ainda segundo a pasta. Entre os feridos estariam uma criança e 11 mulheres. Os bombardeios estão entre os mais letais das últimas semanas, desde que Líbano e Israel concordaram com um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos. O pacto mantém tropas israelenses dentro do sul ocupado do Líbano até que o Hezbollah seja desarmado e o Exército libanês assuma o controle —termos que o grupo apoiado pelo Irã rejeitou por considerá-los uma rendição. “O acordo-quadro é uma ordem israelense escrita com tinta israelense e endossada pelas autoridades libanesas”, disse o líder do Hezbollah, Naim Qassem, em um discurso nesta sexta-feira (14). As Forças Armadas de Israel afirmaram ter atingido, durante a noite, estruturas do Hezbollah, no que descreveram como uma zona de segurança no sul do Líbano, em resposta a ações contra seus soldados. Segundo Tel Aviv, o alvo do bombardeio era um comandante do grupo pró-Irã. Mais tarde, Israel afirmou à agência de notícias AFP que deseja novas e mais ambiciosas negociações com o Líbano, mediadas pelos Estados Unidos. Os ataques israelenses contra o Hezbollah “deveriam impulsionar as negociações e torná-las muito mais sérias, e não o contrário”, disse Doron Spielman, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. O Hezbollah ameaçou dar uma “resposta à altura” após os ataques e instou Beirute a encerrar as negociações “humilhantes” com Israel, que estão em andamento desde abril. “O inimigo israelense deve entender que suas agressões […] e tentativas de impor um fato consumado não podem continuar e receberão a resposta apropriada, em defesa do Líbano”, disse o grupo favorável ao Irã em um comunicado. Autoridades libanesas condenam ataques O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que os ataques de Tel Aviv contra o sul do país foram uma “mensagem clara” sobre as negociações entre os dois países, antes da oitava rodada de conversas patrocinadas pelos EUA, prevista para o início de setembro, em Roma. Aoun condenou os “contínuos ataques israelenses” contra o sul libanês e as “repetidas violações do acordo de paz e do direito internacional relativo à proteção de civis, que resultaram na morte de uma família inteira na aldeia de Ansar”, segundo comunicado emitido pelo seu gabinete. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo “Os mártires do ataque israelense ao vilarejo de Ansar não são ‘infraestrutura militar’, e as mulheres e crianças mortas na ofensiva não são alvos militares”, afirmou o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, em uma publicação no X. As Forças Armadas israelenses tomaram uma faixa do sul do Líbano durante a guerra contra o Hezbollah no início deste ano, desencadeada depois que o grupo disparou contra Tel Aviv dois dias após o início do conflito iniciado pelos EUA e Israel contra o Irã. Durante uma visita ao sul do Líbano na quinta-feira (13), o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que o país não se retiraria das áreas sob seu controle até que o Hezbollah fosse desarmado. Um funcionário do Departamento de Estado americano afirmou que uma presença militar israelense permanente na região não era compatível com os compromissos estabelecidos no acordo com o governo libanês. No início de agosto, os dois países haviam retomado as negociações em Roma para tentar implementar o acordo de segurança firmado no fim de junho. O entendimento prevê retiradas graduais das forças israelenses do sul do território libanês e a expansão do controle do Exército do Líbano sobre áreas de onde as tropas saíram. O Hezbollah voltou a rejeitar o processo, atacou o presidente Joseph Aoun e, pela primeira vez, admitiu a possibilidade de diálogo com as novas autoridades da Síria. Pelo menos 4.300 pessoas morreram no Líbano na mais recente escalada das hostilidades, desde o dia 2 de março.
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