Produção local aposta na qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade para transformar o cacau do Baixo Sul em chocolates premiados, fortalecendo a economia e projetando o município no mercado nacional e internacional
Celebrado no último dia 7 de julho, o Dia Mundial do Chocolate é um convite para apreciar um dos alimentos mais consumidos do planeta. Em Valença, a data ganha um significado ainda mais especial. Inserido em uma das regiões mais tradicionais da cacauicultura brasileira, o município se destaca pela produção de chocolates de origem, que unem qualidade, identidade territorial, sustentabilidade e reconhecimento internacional.
O Baixo Sul da Bahia vive uma nova fase da cadeia do cacau, impulsionada pelo crescimento dos chamados chocolates de origem. Diferentemente do chocolate industrial, esses produtos são elaborados com cacau de procedência conhecida, valorizando as características únicas do solo, do clima, da vegetação e das técnicas de cultivo que influenciam diretamente o perfil sensorial das amêndoas.
Em Valença, marcas como Tombador Cacau, Casa Helena Chocolates e Candengo representam esse movimento. Produzidos de forma artesanal, muitos desses chocolates já receberam premiações internacionais e ajudam a consolidar o município entre os principais polos brasileiros de chocolates especiais.
Grande parte dessas produções segue os conceitos bean to bar e tree to bar. No sistema bean to bar (“do grão à barra”), o fabricante controla todas as etapas da fabricação do chocolate a partir das amêndoas. Já no modelo tree to bar (“da árvore à barra”), o acompanhamento começa ainda na fazenda, desde o cultivo do cacau até a produção da barra final, garantindo rastreabilidade, qualidade e identidade ao produto.
O resultado são chocolates que expressam o território onde nasceram. As barras apresentam elevado teor de cacau, menor quantidade de açúcar e uma riqueza de aromas e sabores naturais que podem remeter a frutas secas, castanhas, caramelo, especiarias e notas florais, características determinadas pela variedade do cacau e pelos processos de fermentação e secagem das amêndoas.
Outro diferencial da produção regional está no cultivo em sistema cabruca, método tradicional em que os cacaueiros crescem sob a sombra da Mata Atlântica. Além de favorecer a biodiversidade, esse modelo fortalece a produção sustentável e preserva uma das paisagens agrícolas mais importantes da Bahia.
Mais do que uma iguaria, o chocolate de origem tornou-se um importante vetor de desenvolvimento econômico para Valença, agregando valor à produção agrícola, incentivando o turismo gastronômico e fortalecendo o empreendedorismo rural.
Casa Helena transforma tradição familiar em chocolates artesanais
A Casa Helena Chocolates Tree to Bar nasceu da união entre conhecimento científico, agricultura familiar e respeito à biodiversidade.
Fundada pela bióloga e empreendedora Helenilda Ribeiro, a marca surgiu a partir do desejo de valorizar a riqueza natural do sítio da família. A aquisição da propriedade foi incentivada por sua mãe, Helena, cuja trajetória de força, dedicação e carinho inspirou o nome da empresa.
Empreendedora Helenilda Ribeiro já levou a Casa Helena Chocolates a diversas como expositora em diversas feiras e eventos (Foto: Reprodução/Instagram)
Com produção artesanal, a Casa Helena trabalha dentro do conceito tree to bar, acompanhando todas as etapas da cadeia produtiva do cacau. Além dos chocolates, desenvolve uma linha diversificada de produtos naturais, como mel de cacau, geleias, polpas de frutas, frutas desidratadas, bombons, nibs e outras criações que aproveitam a biodiversidade local e valorizam os ingredientes produzidos na propriedade.









A proposta da marca vai além da fabricação de chocolates. O objetivo é oferecer alimentos que preservem as características naturais dos ingredientes e contem a história do território onde são produzidos.
Tombador Cacau leva o nome de Valença para mercados internacionais
Outra referência da produção valenciana é a Tombador Cacau, cuja história começou na Fazenda Saudade, localizada na comunidade de Tombador II, zona rural de Valença.
Após anos dedicados a diferentes atividades agrícolas, a família decidiu agregar valor à produção de cacau, transformando as amêndoas cultivadas na própria fazenda em chocolates finos produzidos pelo sistema tree to bar. Todo o processo começa na Fazenda Saudade e é concluído na fábrica instalada no bairro Estância Azul, na sede do município.
Empresa familiar formada pelo casal Isaías e Genilda e suas filhas Júlia e Bianca já conquistou várias premiações internacionais, elevando o nome de Valença (Foto: Divulgação)
Hoje, a empresa processa cerca de 150 quilos de chocolate por mês e possui um portfólio com 14 variedades de chocolates, desenvolvidas para destacar as características sensoriais do cacau produzido na propriedade e de ingredientes brasileiros selecionados. Neste mês, a marca amplia sua linha com o lançamento de um novo sabor e de barras de 80 gramas.
Além das barras de chocolate, a Tombador Cacau produz licor de mel de cacau, mel de cacau, nibs e amêndoas drageadas, ampliando o aproveitamento do fruto e fortalecendo a diversificação da cadeia produtiva.
A qualidade da produção tem recebido reconhecimento internacional. Em 2024 e 2025, a empresa conquistou medalhas na Academy of Chocolate, em Londres, considerada uma das mais importantes premiações do setor. Entre os produtos premiados estão o chocolate branco com maracujá e o chocolate branco com praliné de macadâmia e cumaru.





Em junho deste ano, a Tombador Cacau participou da feira La Chocolaterie, realizada na Argentina, em parceria com o Consórcio Cabruca, iniciativa voltada à promoção dos chocolates brasileiros de origem no mercado internacional. A participação representou mais um passo no processo de internacionalização da marca.
Atualmente, os produtos da empresa estão presentes em diversos municípios baianos, como Salvador, Ilhéus, Itacaré, Itabuna, Santo Antônio de Jesus, Camamu, Cairu, Morro de São Paulo, Boipeba, Moreré, Ituberá, Prado e Península de Maraú, além de Recife, em Pernambuco.
Chocolate que preserva a floresta e fortalece o território
O crescimento dos chocolates de origem demonstra como o cacau pode gerar desenvolvimento sem abrir mão da preservação ambiental. Ao valorizar a produção local, incentivar práticas sustentáveis e agregar valor às amêndoas produzidas na região, marcas valencianas fortalecem a economia, criam oportunidades para agricultores familiares e ampliam a visibilidade do município dentro e fora do Brasil.
No Dia Mundial do Chocolate, Valença celebra uma cadeia produtiva que reúne tradição, inovação, sustentabilidade e identidade regional. Cada barra produzida no município carrega o sabor do cacau cultivado no Baixo Sul da Bahia e a história de produtores que transformam a riqueza da nossa agricultura em um produto reconhecido entre os melhores chocolates de origem do mundo.
Fotos: Divulgação


