A Casa Branca confirmou nesta terça-feira (5) o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A reunião está marcada para esta quinta-feira (7), e o brasileiro deve viajar às 13h (de Brasília) desta quarta. A expectativa, segundo aliados, é de que o petista retorne na sexta. A visita foi confirmada por um funcionário da Casa Branca à Folha. Segundo ele, Trump vai receber Lula para “discutir assuntos econômicos e de segurança de importância compartilhada”. Trata-se, ainda de acordo com o funcionário, de uma visita de trabalho. Na linguagem diplomática, isso significa que um líder viaja para tratar de temas específicos, sem o aparato cerimonial de uma visita oficial. Para efeito de comparação, é diferente da visita do rei Charles, classificada como visita de Estado, com agenda protocolar mais ampla, incluindo jantar formal e discurso no Congresso. Lula havia falado sobre a possibilidade do encontro no início do ano e chegou a anunciar uma visita em março, que não foi adiante. Após o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, diplomatas afirmam que as conversas para uma reunião entre os líderes perderam fôlego. Às vésperas do encontro, integrantes do governo Lula já estão em Washington para preparar a visita do presidente. Nesta terça, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo brasileiro deverá buscar um acordo de combate ao crime organizado transnacional durante o encontro. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo “Em relação ao crime organizado, esse é um tema que o presidente Lula já levou ao presidente Trump, e vai levar novamente, que é um acordo para o combate a organizações criminosas transnacionais, ao crime organizado transnacional”, disse Alckmin em entrevista à Globonews. “Nós podemos fazer muita parceria nessa área, controle de fluxo financeiro, investigação. Esse é um tema extremamente relevante.” O combate ao crime organizado na esfera internacional já foi discutido em reunião anterior entre Lula e Trump. Em falas públicas, o brasileiro pediu que o homólogo americano cooperasse para prender brasileiros envolvidos em escândalos financeiros. Atualmente, também está em discussão a mudança da classificação de facções criminosas como CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) para grupos terroristas. O governo Lula tenta evitar essa mudança na designação. Como mostrou a Folha, o Planalto avalia que a designação abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, deverá acompanhar Lula. Durigan esteve nos EUA durante as reuniões da primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional) e anunciou, no início de abril, uma parceria estratégica entre os dois países para o combate ao crime organizado transnacional. Lula e Trump estão de lados opostos do espectro político mundial. O brasileiro costuma fazer diversas críticas ao americano e, no ano passado, adotou um discurso de defesa da soberania nacional depois de os EUA imporem um tarifaço contra produtos brasileiros. O presidente do Brasil deverá desembarcar em Washington poucos dias após sofrer uma derrota histórica no Senado com a rejeição de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Ele ainda enfrenta uma campanha eleitoral em que pesquisas apontam um embate apertado contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Além disso, o governo Lula passou há poucas semanas por uma crise com o governo americano após a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que vive nos EUA, e foi capturado pelo ICE, o serviço de imigração americano, por ter o visto vencido. Dois dias depois, ele foi solto. Após o episódio, um delegado brasileiro da Polícia Federal, que atuava nos EUA, teve as credenciais canceladas. Segundo o Departamento de Estado americano, ele teria atuado para manipular o sistema de imigração e “contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas” em território americano. Como retaliação, a PF também cancelou as credenciais do americano que trabalhava em Brasília. Do lado dos EUA, há um interesse pelas terras raras do Brasil, que possui a segunda maior concentração dos minerais do mundo, atrás da China. O Departamento do Estado, como a Folha mostrou, já afirmou que os EUA têm interesse no processamento das matérias-primas —Lula já demonstrou disponibilidade em negociar, apesar de reiterar que um possível acordo teria de garantir a soberania do Brasil e permitir que o processamento dos materiais permaneça para fortalecer a indústria local.
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