A China pediu aos Estados Unidos que libertem “imediatamente” o ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, capturados em um ataque americano contra o país sul-americano neste sábado (2). “A China apela aos EUA para garantir a segurança pessoal do presidente Maduro e de sua esposa, libertá-los imediatamente, cessar a subversão do governo venezuelano e resolver as divergências por meio do diálogo e da negociação”, declarou o Ministério das Relações Exteriores, em nota. Antes, a pasta já havia afirmado que condena a ação militar americana e que está “profundamente chocada” com o ataque. “A China se opõe firmemente ao comportamento hegemônico dos EUA, que viola gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe. Instamos os EUA a respeitar o direito internacional e os princípios da Carta da ONU e a parar de violar a soberania e a segurança de outros países”, declarou. Maduro e a esposa desembarcaram na noite de sábado no Aeroporto Internacional Stewart, nos arredores da cidade de Nova York, sob forte escolta de policiais, militares e agentes de segurança. Em pronunciamento horas após a captura, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país governará a Venezuela até a transição e que o petróleo da nação sul-americana será explorado por americanos. A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo e tem a China como um dos principais compradores. Questionado por jornalistas sobre como a ação afeta a relação com o país asiático e outros interessados na nação invadida, Trump afirmou que aqueles que querem petróleo, terão. “Vamos vendê-lo. Provavelmente venderemos em volumes muito maiores, porque eles produziam muito pouco devido à infraestrutura precária. Vamos vender grandes quantidades de petróleo a outros países, muitos dos quais já o utilizam, e muitos outros virão.” Trump disse ainda que, se necessário, enviará militares a solo venezuelano para garantir o controle dos EUA e que está negociando com Delcy Rodríguez, a vice de Maduro, sobre os próximos passos. O Brasil a reconheceu como interina na ausência do ditador. Há o temor de que a invasão da Venezuela e a captura de Maduro abram brecha para que outros países utilizem a mesma estratégia para agredir vizinhos, como, por exemplo, no caso da China em relação a Taiwan. Pequim afirma que a ilha, que tem um presidente democraticamente eleito, é parte “inalienável” de seu território e não descarta o uso da força para a reunificação. China, terra do meio Receba no seu email os grandes temas da China explicados e contextualizados Editorial publicado no veículo estatal China Daily, o principal jornal do país, neste domingo (4) afirmou que as ações do governo Trump estabelecem “um precedente perigoso para as relações internacionais”. Sem fazer menção ao próprio país ou a outras nações, o texto afirma que o raciocínio de Washington, se aceito, concederia a “países poderosos uma licença universal para intervenção militar, contrariando diretamente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”. “A agressão injustificável dos EUA destrói qualquer autoridade moral que possam ter reivindicado. As regras internacionais aplicam-se a todos, não apenas a alguns. Quando os mais fortes optam por ignorar a lei, a proteção das normas se enfraquece para todos”, diz o editorial.
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