SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A China anunciou neste sábado (24) a abertura de uma investigação contra um vice-presidente de sua Comissão Militar Central (CMC) e outro funcionário de alto escalão do órgão, sob suspeita de “graves violações disciplinares” -expressão geralmente usada pelo regime como um eufemismo para corrupção. O anúncio ocorre em meio a uma ampla campanha que, segundo o líder Xi Jinping, no poder há mais de uma década, visa erradicar a corrupção dentro do partido e do país. “Após análise, foi decidido abrir uma investigação contra Zhang Youxia e Liu Zhenli”, disse o Ministério da Defesa em um comunicado. Os dois são suspeitos de cometer “graves violações disciplinares e da lei”, afirmou o texto. A CMC é o órgão supremo de comando militar do aparato estatal chinês e é responsável pelo controle do Partido Comunista sobre as Forças Armadas e pela coordenação da defesa nacional. “Essa medida é sem precedentes na história das Forças Armadas chinesas e representa a total aniquilação do alto comando”, afirmou Christopher Johnson, um ex-analista da agência americana de inteligência, ao jornal The New York Times. Zhang Youxia, 75, é o general mais graduado entre os dois vice-presidentes da CMC. Ele divide o cargo com Zhang Shengmin, um general da Força de Foguetes de Pequim, que assumiu o posto em outubro, após Pequim destituir seu antecessor em operação semelhante. Liu, 61, é o presidente do Estado-Maior Conjunto da CMC. Ambos os generais são subordinados do líder chinês Xi Jinping. Com as novas investigações e afastamento dos envolvidos, a Comissão Militar Central fica com apenas dois membros: Xi e o general Shengmin, que supervisionou os expurgos militares anteriores promovidos pelo líder. Todos os seis comandantes que Xi nomeou para a comissão em 2022 foram removidos. O dirigente chinês havia lançado uma campanha para impor disciplina no Partido Comunista e combater a corrupção nas Forças Armadas do país em meados de 2023. Naquele momento, já foi entendida como um sinal de que o esforço que o líder vinha fazendo há uma década para exercer controle rígido sobre os militares não tinha surtido o efeito desejado. Em duas reuniões de alto nível em Pequim, em agosto daquele ano, Xi disse a líderes militares que eles precisavam “se concentrar em resolver os maiores problemas que persistem nas organizações partidárias em todos os níveis, visando a impor a liderança absoluta sobre as Forças Armadas”. Mais tarde, em dezembro de 2023, a China nomeou o então comandante da Marinha, Dong Jun, como ministro da Defesa, substituindo o titular anterior, general Li Shangfu, demitido sem explicações e destituído do cargo de conselheiro de Estado meses antes. Havia consenso entre analistas que Li era investigado por corrupção. Ele chefiava o departamento responsável pela aquisição e pesquisa de equipamentos antes de assumir o cargo de defesa.
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