Vênus chega nesta sexta-feira (18) ao auge de sua atual aparição no céu do entardecer. O planeta estará excepcionalmente brilhante e poderá ser visto a olho nu pouco depois do pôr do Sol, sem necessidade de telescópio ou binóculo. A principal orientação para quem quiser acompanhar o fenômeno é procurar um ponto com horizonte livre na direção oeste.
O brilho de Vênus ocorre pela combinação entre a distância do planeta em relação à Terra e a quantidade de sua superfície iluminada pelo Sol que está voltada para nós. Como Vênus possui uma órbita interna à da Terra, ele apresenta fases, assim como a Lua.
Nesta época, a proximidade do planeta e a parcela iluminada de seu disco produzem uma das melhores condições para observá-lo com intensidade.
Qual horário e onde observar o brilho máximo de Vênus?
Para acompanhar o brilho de Vênus, não é preciso esperar a noite ficar completamente escura. O planeta começa a se destacar logo depois que o Sol desaparece no horizonte. A recomendação é olhar para o oeste, na mesma direção em que ocorreu o pôr do Sol.
Segundo o professor Anísio Lasievicz, diretor do Parque da Ciência Newton Freire Maia e professor de Astronomia na rede estadual do Paraná, a observação será simples mesmo para quem não tem experiência com o céu.
“Vênus é visível a olho nu em qualquer situação em que esteja no céu. Mesmo que não esteja com seu brilho máximo ou próximo do brilho máximo, ele sempre é muito destacado”, afirma.
O horário exato varia conforme a cidade, já que o pôr e o desaparecimento do planeta no horizonte dependem da localização do observador. Como referência, Lasievicz indica que, nesta sexta, por volta das 18h ou 18h30, Vênus já deverá estar bastante evidente no céu, permanecendo visível até aproximadamente 20h30 ou 21h.
O ideal é escolher um local com visão desimpedida para o horizonte oeste. Prédios, árvores e montanhas podem esconder o planeta quando ele estiver mais baixo no céu. Ainda assim, não é necessário estar longe dos centros urbanos: Vênus é suficientemente brilhante para ser identificado também em cidades.
Precisa de telescópio para ver o brilho de Vênus?
Não. Uma das características que tornam o brilho de Vênus especialmente interessante é justamente a facilidade para observá-lo. A olho nu, ele aparece como um ponto muito luminoso e estável, destacando-se das estrelas próximas.
Quem tiver um telescópio ou binóculo, porém, poderá perceber algo que não é possível distinguir sem ampliação: a fase de Vênus. Nesta época, o planeta apresenta apenas uma parte do disco iluminada, fazendo com que sua aparência lembre uma pequena Lua em fase minguante.
A observação telescópica revela a fase de Vênus, enquanto o brilho intenso permite encontrá-lo facilmente a olho nu. (Foto: Matthew Ansley/Unsplash)
Para quem estiver apenas começando a observar o céu, há outra dica. Vênus normalmente não apresenta a cintilação característica das estrelas. A atmosfera terrestre faz com que a luz das estrelas pareça piscar, enquanto os planetas tendem a manter um brilho mais estável.
“Se você está olhando para um pontinho no céu, desde que ele não esteja muito perto do horizonte, que esteja mais alto, e ele não cintila durante uns 30 segundos ou um minuto, significa que provavelmente você está observando um planeta”, explica Lasievicz.
No caso de Vênus, a intensidade do brilho é uma pista ainda mais evidente. O planeta chegará a aproximadamente magnitude -4,8. Na escala astronômica, quanto mais negativo o número, mais brilhante é o objeto.
Com esse valor, Vênus supera em brilho as estrelas e os demais planetas visíveis no céu, ficando atrás apenas do Sol e, dependendo da fase, da Lua.
Até quando Vênus ficará brilhante?
O brilho de Vênus não desaparece assim que passa a data de máximo. O planeta continuará bastante luminoso nas noites seguintes, embora vá ficando cada vez mais baixo no horizonte oeste à medida que se aproxima da passagem entre a Terra e o Sol, prevista para outubro.
Depois, Vênus deixará de aparecer no entardecer e voltará a ser observado antes do nascer do Sol, no lado leste.
Lasievicz ressalta que os períodos de maior brilho de Vênus fazem parte do ciclo normal de aparições do planeta. “Não é um fenômeno raro, ele é cíclico”, explica. O que muda de uma aparição para outra é a combinação entre a distância de Vênus em relação à Terra e a parcela iluminada de seu disco.
Para quem perder a observação desta sexta-feira, portanto, ainda haverá outras oportunidades de acompanhar o planeta.
Mas o convite para o dia 18 é simples: depois do pôr do Sol, basta olhar para o oeste e procurar o ponto mais brilhante do céu naquela região. Vênus estará lá, sem exigir equipamentos e sem precisar esperar o céu escurecer completamente.


