Pelo menos 4 pessoas morreram e outras 34 ficaram feridas neste domingo (9) em um confronto com armas de fogo e explosivos dentro de uma prisão no sudoeste do Equador. As prisões equatorianas se transformaram em centros de operação de gangues narcotraficante que disputam negócios ilegais e rotas de mercadorias no país e protagonizam confrontos. Desde 2021, cerca de 600 detentos já morreram em razão de conflitos do tipo. Por volta das 3h (horário local) de domingo, moradores da cidade de Machala, na província de El Oro, registraram sons de tiros, explosões e gritos de socorro que vinham do interior do centro de detenção. O serviço penitenciário do país (Snai) confirmou em nota que quatro pessoas morreram devido aos confrontos, sem especificar se todos eram detentos. Pela manhã, o serviço havia anunciado que 44 pessoas haviam ficado feridas, mas mais tarde corrigiu a informação e disse que o saldo é de 1 policial e 33 internos feridos. Equipes de elite da polícia entraram imediatamente na penitenciária, capturaram sete pessoas que serão processadas judicialmente e retomaram o controle após a rebelião, disse o SNAI. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo No final de setembro, outro confronto armado na mesma prisão causou 14 mortes, incluindo a de um funcionário penitenciário. Segundo a autoridade carcerária, os novos confrontos ocorreram devido à planejada reorganização de alguns detentos na nova prisão de segurança máxima construída pelo governo do presidente Daniel Noboa na província costeira de Santa Elena (sudoeste), cuja inauguração é esperada para este mês. O presidente, reeleito em abril de 2025, tem apostado na militarização do país para tentar conter a violência, sob críticas de especialistas e opositores, que veem poucos resultados e uma ameaça à democracia da nação. Noboa tem também se aproximado dos Estados Unidos, cujo governo de Donald Trump usa o discurso de combate ao narcotráfico como justificativa para ataques a barcos supostamente de traficantes em águas da América Latina. O presidente equatoriano recebeu recentemente a secretária de Segurança Interna americana, Kristi Noem, e afirmou que Washington quer instalar bases militares no país. A população do país andino vai às urnas no próximo dia 16 para decidir se volta a permitir instalações do tipo —algo vetado pela Constituição desde 2008. Em 2024, os militares assumiram o controle das prisões do país por ordem de Noboa, que declarou o país em conflito armado interno contra as facções narcotraficantes. No entanto, em agosto deste ano, o controle de oito delas, incluindo a de Machala, foram transferidas para a polícia. O maior massacre carcerário no Equador ocorreu em 2021, quando mais de cem detentos foram assassinados em uma penitenciária de Guayaquil (sudoeste). Os presos chegaram a transmitir ao vivo e pelas redes sociais os confrontos, com corpos decapitados e incinerados. A violência entre as gangues, que se aproveitam da localidade estratégica no comércio global para exportar drogas, elevou a taxa de homicídios do Equador de 6 por 100 mil habitantes em 2018 para 38 a cada 100 mil em 2024. No ano anterior, houve um pico histórico de 47 por 100 mil. Estima-se que 73% da produção mundial de cocaína passa pelos portos equatorianos, e, em 2024, o país apreendeu um recorde de 294 toneladas de drogas, um aumento de 33% em relação a 2023, quando foram apreendidas 221 toneladas.
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