Eleita nesta terça-feira (21), Sanae Takaichi – a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão – é chamada, por parte da mídia japonesa, a “Thatcher japonesa”, devido às suas posições conservadoras. A própria Takaichi declarou em seu website oficial que a líder política que mais admira é justamente Margaret Thatcher, primeira e única mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra no Reino Unido. Thatcher é uma das principais figuras do neoliberalismo. Seus onze anos de governo (1979-1990) foram marcados pelo aumento da pobreza, da desigualdade, das privatizações em massa e do combate aos sindicatos. Mais recentemente na América Latina, a figura de Thatcher, conhecida como a “Dama de Ferro”, vem sendo reivindicada por mandatários da direita regional, como o presidente da Argentina, Javier Milei. Para defender o corte de gastos durante seu governo, o ex-presidente Michel Temer citou-a dizendo: “é preciso, em dado momento – dizia ela, como nós estamos fazendo no Brasil – conter a despesa pública, porque você só pode gastar aquilo que arrecada”. Após a confirmação da eleição de Takaichi, a China manifestou sua expectativa de que o novo governo japonês mantenha compromissos políticos em questões sensíveis, como Taiwan. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, declarou em coletiva de imprensa em Pequim que o país espera que “o Japão trabalhe com a China na mesma direção, aderindo aos princípios dos quatro documentos políticos entre os dois países, honrando seus compromissos políticos em questões importantes como história e Taiwan“. A sucessora de Shinzo Abe Takaichi é considerada a sucessora de Shinzo Abe, o político da direita japonesa, ex-premiê assassinado em 8 de julho de 2022. Ela é do Partido Liberal Democrata (PLD), o mesmo partido de Abe, e defende políticas consideradas herdeiras diretas de seu legado, como o conservadorismo nacionalista, a revisão da “Constituição Pacifista” do Japão e a militarização. Essa Constituição foi aprovada em 1946, após a rendição do Japão. Takaichi assume o cargo como resultado de uma nova coalizão formada entre o Partido Liberal Democrata e o Partido da Restauração (Ishin). Ambos defendem uma reforma constitucional, incluindo a eliminação do Artigo 9, que estabelece que “o povo japonês renuncia para sempre à guerra como direito soberano da nação”. A iniciativa gera preocupação na região e também dentro do Japão, como em Okinawa, município que concentra aproximadamente 70% das instalações militares estadunidenses no país apesar de representar apenas 0,6% do território japonês. Residentes da região temem que a revisão constitucional consolide a militarização permanente do território. O Partido da Restauração também defende mudanças no Acordo sobre o Status das Forças entre Japão e Estados Unidos, documento que regula a presença militar estadunidense no arquipélago. Okinawa era o reino de Ryukyu, estado independente que o Japão anexou em 1879, pouco antes de anexar a ilha de Taiwan, em 1895. Após a Segunda Guerra Mundial, ficou sob administração estadunidense por 27 anos, retornando ao controle japonês apenas em 1972, sob a condição de receber a maior parte das bases militares estadunidenses no país. Apesar de afirmar que Thatcher é sua principal inspiração política, Takaichi não defende necessariamente políticas econômicas da “Dama de Ferro”, conhecida pela austeridade fiscal e privatizações. Ela tenta emplacar o slogan de “Sanaenomics”, um neologismo para “Sanae mais economia”, assim como seu mentor Shinzo Abe, que usava a expressão “Abenomics”. As duas políticas se assemelham com concentração em políticas fiscais expansionistas, gastos públicos agressivos e cortes de impostos. Segundo a imprensa japonesa, Takaichi pretende ainda duplicar o gasto militar do atual 1% do PIB para 2%. Um primeiro sinal de moderação Apesar desse posicionamento, pouco antes de ser eleita, Takaichi enviou um sinal de moderação. Ela optou por não visitar o controverso Santuário Yasukuni durante o festival anual de outono, que acabou no dia 19 de outubro, uma mudança em sua prática como política. As visitas de autoridades japonesas ao Yasukuni geram tensões na região, especialmente com China e Coreia do Sul, porque se trata de um espaço que homenageia alguns dos principais criminosos japoneses da Segunda Guerra Mundial. *Com informações de Asahi e Okinawa Times
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