O correspondente da Deutsche Welle (DW) na Turquia Alican Uludag foi preso novamente no país na terça-feira (21), apenas dois meses depois de ter obtido liberdade condicional. Foi o próprio Uludag que anunciou nas suas redes sociais: “Estou sendo levado sob custódia”. A Deutsche Welle confirmou sua prisão. “A nova prisão do nosso colega Alican Uludag é profundamente preocupante. O trabalho jornalístico não deve ser criminalizado”, disse a diretora-geral da DW, Barbara Massing, acrescentando: “esperamos que seus direitos sejam plenamente respeitados e exigimos um julgamento justo, em conformidade com o Estado de Direito”. Uludag foi novamente detido devido a uma investigação sobre uma publicação em rede social que criticava o Judiciário turco, segundo a Procuradoria-Geral de Ancara. Acusações O jornalista foi detido pela primeira vez em fevereiro, acusado de “divulgar informações enganosas ao público”, “insultar o presidente”, Recep Tayyip Erdogan, e “insultar a nação, o Estado e as instituições turcas”. As acusações estão relacionadas a uma publicação no X feita por ele quase dois anos atrás. Nela, o jornalista criticou medidas adotadas pelo governo turco que resultaram na libertação de possíveis terroristas do Estado Islâmico. Ele também acusou o governo de corrupção. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Como repórter, Uludag cobre violações de direitos humanos, casos de corrupção e julgamentos que alcançam grande repercussão. “Insultar” ou difamar Erdogan é considerado crime na Turquia. Inicialmente, Uludag permaneceu em prisão preventiva até 21 de maio, quando um tribunal lhe concedeu liberdade condicional. O jornalista nega todas as acusações. Apoio a Uludag No cenário restritivo da mídia turca, Uludag continuou a focar em questões polêmicas, como o sistema judiciário, violações de direitos humanos e corrupção. Ele “pesquisou e relatou de forma independente sobre o Judiciário, a política e a sociedade na Turquia, em prol do interesse público”, disse Massing, da DW. Durante sua detenção anterior, inúmeras organizações nacionais e internacionais, bem como representantes políticos, pediram sua libertação. Após sua libertação inicial, a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirmou: “ele não deveria ter passado nem um único dia detido por causa de suas reportagens ou comentários”. A Deutsche Welle informou que permanece em contato com os advogados dele após os acontecimentos mais recentes. Liberdade de imprensa ameaçada na Turquia A Turquia, Estado-membro da Otan e aspirante à União Europeia (UE), figura constantemente entre os últimos colocados nos índices de liberdade de imprensa, principalmente por seu histórico de prender repórteres críticos ao governo. No Índice de Liberdade de Imprensa da RSF deste ano, a Turquia caiu quatro posições, ficando em 163º lugar entre 180 países, logo abaixo do Iraque e do Sudão e acima do Iêmen, Belarus e Mianmar.
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