Vítimas de Jeffrey Epstein apontaram o que veem como falhas na condução do caso e exigiram a responsabilização dos envolvidos em entrevista nesta quarta-feira (11), horas antes de uma audiência sobre o tema com a secretária de Justiça, Pam Bondi, no Congresso dos Estados Unidos. A revolta se intensificou após a divulgação de um novo lote com três milhões de documentos do caso. As vítimas descobriram que seus dados pessoais foram expostos publicamente. Ao identificar o vazamento, o Departamento de Justiça removeu milhares de informações do site. Durante a acalorada audiência, Pam Bondi se comprometeu a preservar as vítimas e remover a censura dos nomes dos homens que teriam trocado mensagens com Epstein. A brasileira Marina Lacerda, 37, que afirma ter sido abusada por Epstein aos 14, disse que ela e outras sobreviventes reivindicam segurança e dignidade. “Como o Departamento de Justiça foi capaz de ser tão cuidadoso em censurar o nome de homens poderosos e, ainda assim, falhou em proteger as sobreviventes?”, questionou. “Nós temos vidas, famílias, e não escolhemos esses crimes. Não deveríamos pagar o preço novamente. Se outros documentos forem liberados, solicitamos que o Departamento de Justiça faça isso corretamente, censurando a identidade das sobreviventes”, disse Lacerda. Os arquivos de Epstein citam diversos políticos e bilionários, entre eles o presidente dos EUA, Donald Trump, o ex-presidente Bill Clinton e o atual secretário de Comércio, Howard Lutnick. Entre empresários, aparecem nomes como Elon Musk, Bill Gates e Les Wexner. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Nesta semana, o Departamento de Justiça autorizou que congressistas visualizassem os documentos dos arquivos do caso Epstein sem censuras. A deputada democrata Pramila Jayapal afirmou, durante a entrevista, que os documentos mostram pessoas que lideram governos, bilionários, secretários de gabinetes trocando emails com Epstein e demonstrando que sentiam que “estavam acima da lei”. “Nesses emails, eles faziam piada sobre pedófilos, sobre atos sexuais horríveis com meninas jovens, e muitos achavam que fossem sair impunes. Mas a terra está se mexendo. Pelo mundo, príncipes, embaixadores e até primeiros-ministros estão caindo. Aqui nos EUA, isso também precisa acontecer. Não vamos parar até que haja Justiça e responsabilidade”, afirmou a deputada. Ironia, discussões e ‘o maior presidente da história’ A secretária de Justiça criticou e ironizou os questionamentos feitos a ela sobre o caso de Epstein. A audiência com Pam Bondi foi marcada por discussões dela com congressistas democratas e até com republicanos. Apesar de o depoimento ter sido centralizado no caso Epstein, também foram citados os casos de agentes federais de imigração, que foram responsáveis pela morte de dois americanos, Alex Pretti e Renee Good. A esses questionamentos Bondi se limitou a responder que há investigações em andamento. Em meio às vozes exaltadas, Bondi afirmou que o deputado republicano Thomas Massie sofre de uma “síndrome de perturbação por Trump”. Massie é o coautor da lei de transparências dos arquivos de Epstein e crítico da condução do Departamento de Justiça à frente do caso. Bondi pediu que os parlamentares mantivessem “a postura” e, ao ser cobrada por democratas, acusou-os de não exercer a mesma pressão pela divulgação dos arquivos durante o governo de Joe Biden. Em outro momento, a deputada Jayapal questionou Bondi sobre as vítimas, que sentaram nas fileiras atrás da secretária durante a audiência. “Você se desculpou às sobreviventes na sua declaração de abertura pelo que elas passaram nas mãos de Jeffrey Epstein. Você vai se virar agora para elas e se desculpar pelo que o seu Departamento de Justiça fez elas passarem com a divulgação absolutamente inaceitável das informações delas nos arquivos do caso?” Bondi começou a responder ao questionamento criticando a congressista pela postura dela quando Merrick Garland, antecessor de Bondi no governo Biden, foi convocado pela mesma comissão para falar sobre o assunto. Jayapal, então, interrompeu Bondi, pedindo que ela respondesse estritamente à pergunta feira. A secretária disse que não “abaixaria o nível por causa do teatrinho” da congressista. Em outro momento, após pergunta do democrata Jerry Nadler, Bondi foi novamente interrompida ao tentar se esquivar. “Com licença, eu vou responder à pergunta”, disse Bondi, elevando a voz. Nadler retrucou: “Responda à minha pergunta””. Bondi, então, afirmou: “Eu vou responder à pergunta como eu quiser, seu teatrinho é ridículo.” Questionada sobre a relação de Trump e Epstein, Bondi manteve a lealdade ao presidente, característica pela qual é conhecida no governo. “Isso é tão ridículo”, disse a secretária, acrescentando que os congressistas estavam tentando desviar o foco de todas os “grandes feitos que Trump fez”. Em diversos momentos, a secretária elogiou o chefe e o qualificou de o “maior presidente de toda a história”. Ao divulgar os arquivos em dezembro, o Departamento de Justiça afirmou que os documentos continham informações falsas e sensacionalistas sobre o presidente dos EUA. Na nova leva divulgada no fim de janeiro, a pasta reafirmou a defesa.
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