Crescem pelo Irã os protestos iniciado por comerciantes contra o elevado custo de vida e a hiperinflação no país, que enfrenta severas sanções ocidentais. No quarto dia de mobilização, na quarta-feira (31) foram registrados protestos estudantis em pelo menos dez universidades em diversas partes do país, onde o presidente Masoud Pezeshkian pediu às autoridades que ouçam “as demandas legítimas” dos manifestantes. Manifestações foram registradas em diversas cidades iranianas, com muitos mercados e lojas fechando as portas novamente nesta véspera de ano novo, depois que os estudantes deram novo fôlego aos protestos com manifestações em universidades no dia anterior. Sete ficam em Teerã e estão entre as mais prestigiosas do país. Outros centros de ensino foram afetados em Isfahan (centro), Yazd (centro) e Zanyan (noroeste), reportaram as agências Ilna, próxima dos operários, e Irna, estatal. Nesta terça-feira, forças de ordem e a tropa de choque da polícia foram mobilizadas nas principais vias de Teerã e nos arredores de algumas universidades. A República Islâmica enfrenta há vários anos um encarecimento desenfreado dos produtos básicos e uma desvalorização crônica de sua moeda. Em dezembro, os preços aumentaram 52% em média, em termos anuais, segundo o Centro de Estatísticas Iraniano. A mobilização começou no domingo no maior mercado de telefones celulares de Teerã, antes da ampliação do protesto na segunda-feira. “Pedi ao ministro do Interior que ouça as demandas legítimas dos manifestantes”, para que o governo “possa agir com todas as suas forças para resolver os problemas e fazer isso de maneira responsável”, afirmou o presidente Pezeshkian na rede social X. Na manhã de terça-feira, muitas lojas e cafeterias estavam abertas ao longo da avenida Vali-asr, que atravessa a capital de norte a sul ao longo de 18 quilômetros, constatou a AFP. Policiais da tropa de choque vigiavam as principais praças do centro da cidade. Para esta quarta-feira (31), as autoridades decretaram o fechamento de escolas, bancos e prédios públicos em Teerã e outras regiões do país devido ao frio e para economizar energia, anunciou a imprensa estatal, que não vinculou a medida aos protestos. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, pediu aos deputados que tomem as “medidas necessárias para aumentar o poder aquisitivo da população”. Contudo, ele também fez um alerta para o risco de instrumentalização dos protestos para provocar “o caos”. Moeda em queda livre O rial iraniano atingiu no domingo um novo mínimo histórico em relação ao dólar, segundo a taxa de câmbio informal no mercado paralelo, a mais de 1,4 milhão de riais por dólar (contra 820 mil um ano antes) e 1,7 milhão por euro (contra 855 mil). Na segunda-feira, a moeda iraniana registrou uma leve recuperação. A desvalorização crônica da moeda provocou hiperinflação e volatilidade no Irã, onde alguns preços aumentam consideravelmente de um dia para o outro. A situação paralisa as vendas de alguns produtos importados, já que tanto vendedores quanto compradores preferem adiar qualquer transação à espera de um novo cenário. “Nenhum dirigente [político] nos apoiou nem tentou entender como a taxa de câmbio do dólar afeta nossas vidas”, lamentou um manifestante citado na terça-feira pelo jornal Etemad. “Tivemos que expressar nosso descontentamento”, acrescentou o vendedor, que falou sob condição de anonimato. Sanções dos EUA “Muitos comerciantes preferiram suspender suas transações para evitar possíveis perdas”, explicou na segunda-feira a agência oficial de notícias Irna, acrescentando que os manifestantes tinham “repetido palavras de ordem”. A economia iraniana, já fragilizada por décadas de sanções ocidentais, sofre com o restabelecimento, no final de setembro por parte da Organização das Nações Unidas (ONU), das penalizações internacionais relacionadas com seu programa nuclear, que haviam sido suspensas há dez anos. Os Estados Unidos, que atacaram o país militarmente este ano por 12 dias, lidera a pressão internacional para estrangular a economia iraniana. Em um momento de crise, o governo anunciou a substituição do presidente do Banco Central por Abdolnasser Hemmati, que já ocupou o cargo entre 2018 e 2021. Hemmati, ex-ministro da Economia e das Finanças, assumirá o cargo na quarta-feira. Ele volta ao cenário político depois de ter sido destituído em março pelo Parlamento, também devido à forte desvalorização do rial.
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