O presidente da Argentina, Javier Milei, e Flávio Bolsonaro (PL) | Crédito: Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro Deputados nacionais argentinos de diversos blocos de oposição acusaram o governo do presidente Javier Milei de ter facilitado a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), que deixou o Brasil pela Argentina na noite de terça-feira (27) e chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira (28). Em comunicado divulgado nesta quarta, os parlamentares afirmam que o candidato derrotado nas eleições brasileiras “fugiu do Brasil para os Estados Unidos passando pela Argentina com a absoluta cumplicidade do governo de Javier Milei”.No documento, os deputados cobram respostas urgentes do Poder Executivo aos pedidos de informação já apresentados ou que venham a ser feitos pelos parlamentares. Também exigem a presença na Câmara dos Deputados do chefe de Gabinete, Diego Santilli, da ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, e do chanceler Pablo Quirno, com base no artigo 71 da Constituição argentina, que permite ao Congresso convocar ministros para prestar esclarecimentos.O terceiro ponto do comunicado trata da relação com o Brasil, abalada desde que o governo brasileiro acusou Milei de tentar interferir na eleição. Os deputados exigem que o governo argentino “reconheça formalmente o triunfo de Lula da Silva” e reforce o diálogo com o Brasil para “restabelecer as relações diplomáticas entre ambos os países ao mais alto nível, de acordo com a história em comum e o caráter estratégico do vínculo”.Além do comunicado, o deputado socialista Esteban Paulón apresentou uma denúncia penal por acobertamento agravado contra Milei, o chanceler Quirno e o assessor presidencial Santiago Caputo. Segundo a imprensa argentina, Caputo, um dos principais estrategistas de Milei, teria atuado na operação de saída de Flávio Bolsonaro.Rota de fugaNa terça-feira, enquanto a Polícia Federal (PF) acionava as autoridades argentinas para saber se o senador havia deixado o Brasil, o governo argentino informou que não havia registro da entrada dele no país. O porta-voz da Presidência, Adrián Ravier, afirmou ainda que Flávio Bolsonaro não havia feito “nenhum pedido de asilo”.A travessia só aconteceu à noite. Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas atravessaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira, e embarcaram 40 minutos depois em um jatinho particular que fez escala no Equador antes de seguir para Miami, onde pousou na manhã desta quarta.Relação abaladaA cobrança dos deputados argentinos ocorre em meio à deterioração das relações entre os dois países. Também na terça-feira, Ravier afirmou que a Casa Rosada não emitirá nenhum comunicado oficial reconhecendo a vitória de Lula nas eleições de domingo (25). Desde julho, quando o Itamaraty chamou de volta o embaixador brasileiro em Buenos Aires depois que Milei atacou Lula em um evento do PL em São Paulo, a relação diplomática está rebaixada.Já nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro divulgou nesta quarta-feira uma carta golpista em que se apresentava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, contrariando o resultado reconhecido pela Justiça Eleitoral. Depois da repercussão, editou o texto e trocou a expressão por “líder do Brasil”. Na carta, ele agradece a Milei e ao presidente estadunidense, Donald Trump, pelo apoio.
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