Os candidatos ao governo de Minas Gerais protagonizaram nesta terça-feira (29), no debate da TV Globo, uma série de confrontos sobre impostos, segurança pública, dívida estadual e serviços públicos. Entre os nomes da direita, Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL) e Mateus Simões (PSD) trocaram críticas sobre propostas econômicas, emendas parlamentares e suas posições políticas.Roscoe questionou Cleitinho sobre declarações anteriores em que teria dito que o senador não era de direita. O candidato do PL afirmou que os dois chegaram a discutir a possibilidade de uma chapa conjunta, mas divergiram em temas como liberdade econômica, família e aborto.O confronto avançou para a proposta de Cleitinho de reduzir o IPVA. Roscoe disse ser favorável à redução de impostos, mas afirmou que qualquer corte precisa apontar como será compensada a perda de arrecadação. Chamou a proposta do adversário de “show midiático”.Cleitinho respondeu reafirmando que é de direita, mas disse que, caso eleito, teria obrigação de governar para todos. Também citou medidas adotadas durante o governo Jair Bolsonaro para defender a redução da carga tributária.Mateus Simões também dirigiu cobranças a Cleitinho. O candidato do PSD afirmou que o senador recebeu mais de R$ 100 milhões em emendas parlamentares e não destinou recursos para a segurança pública. Cleitinho respondeu que a área é atribuição do governo estadual e criticou a gestão de Simões.Em outro momento, Simões afirmou que, de R$ 74 milhões destinados por Cleitinho a Divinópolis, nenhum recurso teria sido direcionado a políticas para mulheres. O senador acusou o adversário de utilizar propostas apresentadas por sua campanha, entre elas o monitoramento de criminosos durante 24 horas.Patrus questiona dívida e benefícios fiscaisPatrus Ananias (PT) concentrou parte de suas intervenções na situação fiscal de Minas. Questionado por Roscoe sobre a dívida estadual, disse que, em caso de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pretende buscar uma negociação para ampliar o prazo de pagamento.O petista afirmou que Minas também acumula “dívidas” relacionadas à prestação de serviços públicos e defendeu prioridade para áreas como saúde e segurança. Segundo Patrus, o próximo governo deverá enfrentar uma dívida financeira de cerca de R$ 200 bilhões.Patrus também questionou as isenções concedidas pelo estado e afirmou que os benefícios fiscais superam R$ 25 bilhões. Roscoe rebateu e defendeu que incentivos tributários podem estimular investimentos e ampliar a arrecadação.Em outro momento, Patrus discutiu turismo e cultura com Simões. O candidato do PT defendeu o setor cultural como instrumento de desenvolvimento econômico. Simões respondeu afirmando que 96% dos recursos da cultura teriam sido concentrados na região Centro-Sul do estado.Na educação, Patrus foi questionado por Gabriel (MDB) sobre a Escola Plural, implantada durante sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte. O petista afirmou que a política não integra seu atual programa e defendeu um projeto que alcance da educação infantil às universidades. Também criticou a situação da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg).Kalil cobra Roscoe sobre pandemiaAlexandre Kalil (PDT) e Roscoe também trocaram críticas durante a discussão sobre gestão pública. Questionado sobre sua capacidade de administrar as contas estaduais, Kalil citou sua passagem pela Prefeitura de Belo Horizonte e atacou a atuação de Roscoe durante a pandemia.Kalil afirmou que, enquanto estava em comunidades da capital durante a crise sanitária, Roscoe estava em Miami. O candidato do PL respondeu que sua atuação como representante do setor empresarial sempre buscou melhorar as condições de vida da população.Os dois também discutiram o transporte metropolitano. Kalil criticou a falta de integração entre os sistemas da Região Metropolitana de Belo Horizonte e defendeu melhorias sem aumento das tarifas. Roscoe reconheceu problemas de integração e propôs ampliar horários e conexões entre os diferentes modais.Segurança e hospitaisA segurança pública apareceu ainda em um confronto entre Gabriel e Kalil. O candidato do MDB perguntou como o ex-prefeito enfrentaria as facções criminosas e a situação dos presídios.Kalil defendeu a recomposição das forças policiais e afirmou que a Polícia Civil mineira está entre as mais mal remuneradas do país. Gabriel considerou a resposta insuficiente e defendeu a instalação de bloqueadores de celulares nos presídios.Na saúde, Kalil questionou Simões sobre hospitais regionais construídos com recursos da reparação da Vale. Citou o hospital de Sete Lagoas e perguntou se o governo estadual pretendia transferir a unidade ao município.Simões afirmou que o hospital havia sido aberto no dia anterior ao debate e disse que a unidade de Governador Valadares também estava perto de ser concluída. O candidato anunciou ainda a proposta de construir um hospital de R$ 200 milhões no Norte de Minas.Gabriel também cobrou Simões sobre a gestão de Romeu Zema (Novo) ao citar a indicação de um secretário envolvido em questionamentos sobre compras de material escolar. Simões atribuiu a responsabilidade pela escolha ao atual governador.Regiões e Rio DoceAs desigualdades entre as regiões mineiras também apareceram no debate. Kalil afirmou que áreas do Centro-Oeste e da região Central foram abandonadas pela atual gestão. Simões citou o Rodoanel como principal projeto do governo para a região.Gabriel questionou Patrus sobre a recuperação da bacia do Rio Doce. O petista afirmou que a área foi atingida pela atuação de uma empresa e defendeu políticas de proteção ambiental.Questionado também sobre os Vales, Patrus defendeu políticas de desenvolvimento regional combinadas a parcerias com empresários e apoio a micro, pequenos e médios empreendedores.No Norte de Minas, Roscoe perguntou a Cleitinho sobre a falta de água. O senador respondeu que o problema exige diálogo entre diferentes níveis de governo para viabilizar investimentos.
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