A ditadura da Venezuela libertou nesta quinta-feira (22) Rafael Tudares, genro do autointitulado presidente legítimo da Venezuela, Edmundo González, ex-diplomata exilado na Espanha. Tudares havia sido preso em janeiro de 2025, acusado de terrorismo e condenado a 30 anos de prisão. A soltura faz parte da reaproximação do regime com os Estados Unidos após a captura do ditador deposto Nicolás Maduro. A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, vem libertando presos políticos como sinal de boa vontade em relação aos EUA e deve se encontrar com Donald Trump em Washington em breve. Tudares é casado com a filha de Edmundo González, considerado por uma série de países como o verdadeiro vencedor das eleições presidenciais de 2024, quando Maduro se declarou reeleito. González se exilou na Espanha, mas sua filha, Mariana, e Rafael Tudares permaneceram na Venezuela. “Após 380 dias de uma injusta detenção arbitrária e de ter sofrido, durante mais de um ano, uma situação desumana de desaparecimento forçado, meu marido Rafael Tudares Bracho retornou para casa esta madrugada”, escreveu Mariana González nesta quinta. A ONG venezuelana Foro Penal contabiliza até 19 de janeiro 777 presos políticos, com 143 libertações desde o anúncio do governo em 8 de janeiro. O processo tem sido lento —dezenas de familiares dormem em frente às prisões com a esperança de ver seus entes queridos saírem em liberdade. Entre os opositores que ainda permanecem atrás das grades destaca-se Juan Pablo Guanipa, importante aliado da líder opositora María Corina Machado e vinculado a uma suposta conspiração contra as eleições de governadores e deputados ao Parlamento em 2025. Com as lentas solturas de presos políticos, Delcy busca também se fortalecer como interlocutora confiável dos EUA. A Constituição da Venezuela estipula que a vice de Maduro permaneça no poder por seis meses, quando devem ser convocadas novas eleições. Delcy, entretanto, vem consolidando poder no país. Ela mudou ministros e impulsionou leis para incentivar o investimento estrangeiro no setor petrolífero venezuelano, chave na agenda de Trump para a Venezuela pós-Maduro. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Na quarta-feira, ela reestruturou igualmente os comandos militares, com a nomeação de generais para 12 das 28 comandâncias regionais em todo o país. A líder já designou anteriormente um ex-chefe do serviço de inteligência, o Sebin, como novo comandante de sua guarda presidencial e como diretor da agência de contrainteligência. Trump disse na quarta-feira no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que “os líderes [da Venezuela] têm sido muito, muito espertos”, em referência a Delcy. Ela ainda é alvo de sanções de Washington, incluindo o congelamento de bens.
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