No entanto, o futuro de seu governo parece cada vez mais incerto, com chances bem reais de perda de governabilidade a partir de 2026, tornando-se “pato manco”, no jargão político. Ou seja, um presidente que teria pouco poder, pelas dificuldades de aprovar medidas legislativas, já que o republicano pode perder a maioria que tem no Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro. “Trump é um desastre total por ter prometido fundamentalmente duas coisas que não cumpriu: conter a inflação e a criminalidade causada por estrangeiros”, diz ao Brasil de Fato o cientista político James Green. “Em vez disso, adota medidas muito impopulares como deportar trabalhadores, beneficiar seus amigos ricos e decisões surpreendentes como esses ataques à Venezuela.”Green lembra que a “a rejeição do seu mandato é maciça, mais do que 50% da população. Ou seja, ele pode perder o controle Câmara de Deputados e talvez do Senado, o que limitaria muito seus movimentos.”Apesar disso, o professor da Brown University acredita que a Casa Branca buscará interferir em nossas eleições presidenciais de outubro, assim como outras da região, como a colombiana. Veja abaixo alguns dos principais acontecimentos protagonizados pelo mandatário no primeiro ano de seu segundo mandato. Hostilidades internas e externas Nos EUA, Trump adotou uma série de medidas em conformidade com seu lema America First (América em Primeiro Lugar) muitas por decreto, embora a Justiça tenha bloqueado algumas de suas decisões. Desprezando direitos fundamentais e outros centros de poder, Trump atacou seus adversários, enviou a Guarda Nacional a várias grandes cidades democratas, dedicou-se a intimidar os meios de comunicação e lutou contra os programas de diversidade e inclusão. Muito do arrocho foi liderado pelo seu ex-melhor amigo Elon Musk. A pessoa mais rica do mundo foi empregada pela administração Trump para cortar fundo o aparato social do Estado e desmontar as agências estadunidenses que atuam no exterior. No auge da amizade, Trump e Musk apareceram em um vídeo criado por inteligência artificial mostrando sua visão para a Faixa de Gaza: um luxuoso balneário ocidentalizado e sem palestinos. Detalhe cruel: o vídeo foi publicado no auge do genocídio cometido por Israel, quando muitos palestinos morriam pela fome induzida por Israel. O apoio a Israel se estendeu a ataques contra o Líbano, Síria, Iêmen e até o Irã, em um ataque inédito de 12 dias, alegadamente contra instalações nucleares iranianas. Alegadamente também, desta vez contra o narcotráfico, Trump enviou cerca de 10 mil soldados e armamentos pesados às próximidades da Venezuela no Mar do Caribe, na tentativa de derrubar o governo de Nicolás Maduro. “Honestamente é muito difícil saber se vai haver guerra ou não no Caribe porque Trump é imprevisível, nunca se sabe se é maneira de mostrar sua masculinidade, ou se realmente são ameaças que ele vai cumprir. A grande maioria dos estadunidenses é contra, mas acredito que a meta do secretário de Estado, Marco Rubio, é pressionar indiretamente para a queda dos governos em Caracas e Havana“, diz James Green. “Confiscar petróleo venezuelano que ia para Cuba (e os cubanos precisam desesperadamente deste petróleo) é parte dessa estratégia”, afirma o analista estadunidense, sobre as operações no Caribe que já mataram mais de 100 pessoas em pelo menos 20 ataques contra barcos pequenos. Terraplanice Mesmo matando tanta gente e tendo rebatizado o departamento (Ministério) da Defesa para da Guerra, Trump defendeu para si o Prêmio Nobel da Paz, alegando ter “encerrado sete guerras”, afirmação amplamente rebatida como falsa. Tal sandice, no entanto, esteve longe de ser a única ou a pior vinda da Casa Branca este ano. Trump foi o campeão do ano do quadro Terra Plana de O Estrangeiro, o podcast de política internacional do Brasil de Fato, que semanalmente elege a mais bizarra notícia vinda dos rincões da extrema direita. O presidente estadunidense esteve o topo das votações por 18 semanas em 2025. Abaixo, algumas de suas pérolas vencedoras: Em janeiro, após dizer que anexaria tanto o Canadá como a Groenlândia, bloqueou US$ 50 milhões de ajuda aos palestinos de Gaza, dizendo que o dinheiro seria usado para comprar camisinhas que seriam usadas pelo Hamas pra fazer bombas. Em fevereiro, sugeriu que estaria ocorrendo um roubo de reservas de ouro do Fort Knox e pediu que Musk pessoalmente fizesse uma auditoria.Em abril, Trump deportou um salvadorenho que vivia legalmente nos EUA para depois admitir “erro administrativo”, mas ainda assim dizer que não pode trazê-lo de volta. Em maio aceitou como presente um Boeing de luxo de presenta da família real do Catar e, em julho, ofereceu US$ 25 milhões por informações do paradeiro de Maduro que levassem à sua captura, como se ninguém soubesse que o presidente da Venezuela mora na capital da Venezuela. A política de causar reações indignadas incluiu seu secretário da Guerra defender o fim do voto feminino em agosto e postar em, em outubro, outro vídeo feito por Inteligência Artificial no qual despejava fezes sobre a cidade de Nova York. No mês anterior, ele se dedicou a reclamar das escadas rolantes da ONU, durante a Assembleia Geral da entidade. Brasil e tarifaço Aquele 23 de setembro ficou marcado como um ponto de inflexão nas relações entre os EUA e Brasil, muito por causa do encontro com o presidente Lula, que, segundo ambos, revelou uma “química” entre os dois líderes. Vale lembrar que, à época, Trump era notório por constranger outros chefes de Estado (aliados ou não), como fez com o ucraniano Zelensky e o sul-africano Ramaphosa. Além disso, havia imposto as maiores tarifas do mundo às exportações brasileiras, de 50%, para chantagear o Judiciário brasileiro a não responsabilizar o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de Golpe de Estado. O anúncio das novas tarifas globais para as importações dos Estados Unidos foi o equivalente a um tsunami financeiro, ou uma declaração de guerra comercial ao mundo. Mesmo tendo renegociado a seu favor taxas mais favoráveis, como foi o caso do comércio com a União Europeia e o Japão, o motivo de Trump ter voltado atrás em varias delas, como muitas das brasileiras, foi que o tarifaço prejudicaria muito mais do que beneficiaria a economia estadunidense. Ou seja, com Luiz Inácio pode até ter ocorrido química, mas a motivação maior foi interesse próprio. Tendência que deve se repetir ano que vem, quando de nossas eleições presidenciais. “É bem possível que Trump já tenha mobilizado a CIA para articular com a extrema direita brasileira. Vamos ver se ele fará declarações públicas ou será na clandestinidade, mas fato é que ele não está interessado em ver Lula reeleito”, diz James Green.“Tenho certeza de que, mesmo distraído por outros assuntos, Trump e Marco Rubio vão trabalhar para enfraquecer a candidatura de Lula“, afirma ele, citando a interferência do estadunidense em outros pleitos deste ano, como na Argentina e Honduras. Pato manco? Entre as distrações que podem ocupar a Casa Branca à época de nosso pleito, estão as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para o começo de novembro. A votação renovará os 435 assentos na Câmara dos Representantes e um terço dos 100 senadores e pode significar o fortalecimento ou a inviabilidade definitiva de seu governo durante os dois últimos anos de mandato. Pesquisas mostram que hoje Trump tem recorde negativo de aprovação, com cerca de 56% dos estadunidenses desaprovando sua administração. Pior: nos chamados estados-pêndulo, onde não há maioria definidade de republicanos ou democratas, ele tem alto índice de rejeição. “Trump tem apenas 33% de aprovação e nenhuma de suas políticas tem apoio da maioria da população. Caso essa dinâmica continue até novembro, ocorrerá uma grande derrota para Trump, que perderá o controle do Legislativo”, diz james Green.
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