O líder do Hezbollah, Naim Qassem, criticou nesta sexta-feira (5) a decisão do governo do Líbano de enviar um delegado civil ao comitê de cessar-fogo, classificando-a como uma “concessão gratuita” a Israel e uma violação das posições governamentais anteriores. Na última quarta-feira, tanto Israel quanto o Líbano enviaram representantes civis a um comitê militar que monitora trégua, ação que marca uma expansão no escopo das negociações entre as duas nações. Israel afirmou que seu representante foi enviado para ajudar a estabelecer as bases para um relacionamento e uma possível cooperação econômica. A reunião também foi ao encontro de uma exigência feita pelo governo de Donald Trump há meses: de que os dois países ampliassem as conversas para além do monitoramento do cessar-fogo —em alinhamento com a agenda do presidente americano de costurar acordos de paz em todo o Oriente Médio. O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou nesta sexta, no entanto, que as negociações de cessar-fogo com o governo israelense visam principalmente interromper as incursões militares. “Estas negociações visam principalmente interromper as ações hostis realizadas por Israel em território libanês, garantir o retorno dos prisioneiros, programar a retirada das áreas ocupadas e resolver os pontos de disputa ao longo da Linha Azul”, disse Aoun em um comunicado, referindo-se à linha demarcada pela ONU que separa Israel do Líbano. Ele também disse a uma delegação visitante do Conselho de Segurança da ONU que o Líbano acolhe de braços abertos qualquer país disposto a manter forças no sul para apoiar o Exército após a retirada da Unifil, a missão de paz de longa duração, no final de 2026, acrescentando que vários Estados já manifestaram interesse. Os governos de Israel e Líbano firmaram um acordo de trégua mediado pelos Estados Unidos em 2024, mas Israel não interrompeu os ataques contra o grupo Hezbollah. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O Líbano não reconhece o Estado de Israel e permanece oficialmente em estado de guerra com o vizinho, criminalizando contatos com cidadãos israelenses. Reuniões entre funcionários civis dos dois lados têm sido extremamente raras ao longo da conturbada história entre os países.
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