A Espanha submeteu a controle de fronteiras 199 passageiros que chegaram da Itália nos seis maiores aeroportos do país no sábado (8), o primeiro dia da retomada de verificações em um contexto de disputa com Roma sobre migração irregular. O Ministério do Interior espanhol informou neste domingo (9) que foram realizadas verificações de pessoas que viajavam em 12 voos procedentes da Itália. Eles desembarcaram nos aeroportos de Madri, Barcelona, Sevilha, Bilbao, Alicante e Valência. A Espanha anunciou na sexta que restabeleceria de forma temporária os controles para passageiros procedentes da Itália. A medida entrou em vigor à meia-noite de sábado e deve valer até 7 de setembro. Madri justificou a decisão pela “pressão migratória irregular persistente” e afirmou que os controles serão mantidos enquanto a Itália continuar adotando medidas semelhantes contra passageiros procedentes da Espanha. A disputa entre os dois países começou depois de uma onda migratória que levou mais de 70 mil pessoas a Ceuta, território espanhol no norte da África, em 30 de julho. O episódio provocou reação de países da União Europeia e aumentou as tensões entre Madri e Roma. A Itália havia anunciado na semana passada a suspensão temporária da livre circulação prevista pelo espaço Schengen para pessoas que chegam da Espanha. Os controles foram adotados em pontos de entrada marítimos e aéreos e, segundo o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, permanecerão em vigor pelo menos até 15 de agosto. Roma afirma que a medida não afeta cidadãos espanhóis ou de outros países da UE que viajam para a Itália. As verificações seriam direcionadas a cidadãos de fora do bloco. O governo italiano disse também que os controles são necessários para proteger a segurança de seus cidadãos e que só pretende suspendê-los quando houver garantias de que não há migrantes em situação irregular se dirigindo ao território italiano. A decisão italiana motivou críticas do governo espanhol, que acusou Roma de colocar em risco um dos principais pilares da integração europeia: a livre circulação de pessoas dentro do espaço Schengen. Madri classificou os controles como “injustos, contrários aos interesses da UE e discriminatórios”. O espaço Schengen permite a circulação sem controles de passaporte entre 29 países europeus. Os países integrantes, no entanto, podem restabelecer de forma temporária os controles nas fronteiras em situações consideradas excepcionais, como ameaças à segurança ou à ordem pública. O episódio mais recente expõe as dificuldades enfrentadas pela UE para preservar a livre circulação de pessoas diante do aumento dos fluxos migratórios e das preocupações de segurança dos países-membros.
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