O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, comparou-se a Alexandre, o Grande, na cerimônia de credenciamento de sua vitória, na quinta-feira (25), e deu um mês para grupos armados se entregarem, reforçando a ruptura que pretende implementar nas políticas de segurança do país. “Acabou o tempo de tolerar o crime. Aqueles que persistirem na corrupção, no terrorismo e no tráfico de drogas enfrentarão toda a força do Estado”, afirmou, ao dar 30 dias para que os grupos “organizem sua submissão ao Estado de Direito”. “No meu governo, não haverá ofertas generosas nem concessões inaceitáveis.” Com o discurso, o político estreante indica que vai insistir na retórica que lhe garantiu uma vitória por menos de um ponto percentual contra o senador Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro. Durante a campanha, Espriella fez da segurança a sua principal bandeira e prometeu acabar com as negociações de paz com guerrilhas dissidentes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas) impulsionadas, sem sucesso, por Petro. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo Em vez disso, ele quer destruir plantações no país por meio de fumigação aérea —uma estratégia controversa por não ter funcionado no passado e devido aos seus impactos ambientais—, aumentar penas e construir dez megaprisões de segurança máxima, ao estilo de Nayib Bukele, em El Salvador. As medidas quase certamente sofrerão resistência perante o Judiciário da Colômbia, conhecido por ser, em linhas gerais, progressista em relação a direitos fundamentais. A estratégia de Espriella deve ser a de governar por decretos no início do governo, e ele já conversou com as presidentes do Tribunal Constitucional e do Conselho Superior da Magistratura. “Ambos os lados enfatizaram a importância do respeito institucional, da independência dos poderes públicos, do fortalecimento das instituições democráticas e da defesa do Estado de Direito”, afirmou a equipe do presidente eleito na terça (24). Algumas das promessas que devem enfrentar resistência é a eliminação do Jurisdição Especial para a Paz, um tribunal criado pelo acordo de paz de 2016 que tem tem proteção constitucional, e instituir prisão perpétua para estupradores de crianças, algo que o Tribunal Constitucional já derrubou em 2021, durante a Presidência de Iván Duque. Outro obstáculo será o fragmentado Congresso, onde o partido de Petro, o Pacto Histórico, tem a maior bancada, embora partidos de direita e centro-direita ainda tenham dominância. Também nesta quinta, os congressistas eleitos da sigla se declararam oposição para barrar “qualquer iniciativa que busque desmantelar o progresso social alcançado pelo povo colombiano”. “Defenderemos cada uma dessas conquistas no Congresso e junto aos cidadãos, agindo com unidade, determinação e compromisso com os milhões de colombianos que depositaram sua esperança na transformação democrática do país”, afirmaram. No tom apoteótico que adotou em sua comunicação, Espriella comparou a sua vitória com a campanha militar do rei macedônio Alexandre, o Grande, que resultou na conquista do Império Persa, três séculos antes de Cristo. “Não tenho dúvida em afirmar que esta vitória, queridos amigos, queridos compatriotas, é uma epopeia. Sem estruturas políticas, sem respaldo dos grandes grupos econômicos, com vastos setores da imprensa tradicional contra, com os grupos armados terroristas aliados do regime social-comunista nos perseguindo, (…) conseguimos”, afirmou, como se refere ao governo de Petro. Apesar da declaração, Espriella contou com o apoio de vários dos “de sempre”, como chama os políticos tradicionais do país, em sua campanha. O mais expressivo é Fuad Char, patriarca de uma das famílias mais influentes na política e na economia colombiana, principalmente na região de Barranquilla, onde Espriella vota. “Assim como Alexandre, o Grande, frente ao imenso Exército persa, jamais nos deixamos intimidar pela aparente superioridade do adversário”, continuou. Após as fotos, o político prestou continência, gesto que adotou como símbolo de sua campanha. Por fim, ele prometeu deixar o poder ao fim do seu mandato, em uma tentativa de responder aos críticos que veem a sua vitória como uma ameaça à democracia da Colômbia. “Daqui a quatro anos, a pessoa livremente escolhida pelo povo colombiano para servir como Presidente da República em meu lugar estará neste mesmo lugar”, afirmou. Espriella deve tomar posse no dia 7 de agosto.
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