Impostas em 2019, as sanções asfixiaram o sistema financeiro venezuelano; restrições contra aliados continuam O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (14) o fim das sanções impostas ao sistema bancário público da Venezuela, desde 2019. A medida inclui o Banco Central da Venezuela (BCV), bem como outras entidades importantes, como o Banco de Venezuela, o Banco Digital dos Trabalhadores e o Banco do Tesouro. A decisão, anunciada pelo Departamento do Tesouro, ocorre em um momento de reconfiguração das relações bilaterais e das políticas restritivas anteriormente aplicadas. A suspensão completa das sanções ao sistema bancário público vai permitir maior fluidez nas operações financeiras dessas instituições. A inclusão do Banco Central da Venezuela e dos principais bancos públicos do país nessa medida deve ter um impacto substancial na economia venezuelana, facilitando o acesso a mercados internacionais e operações financeiras que antes eram muito limitadas. O acesso a serviços financeiros internacionais é crucial para qualquer nação, e a exclusão dessas entidades bancárias representava um obstáculo considerável para a economia venezuelana. A possibilidade de essas instituições operarem com mais normalidade no cenário financeiro global é vista como um passo rumo à estabilização e recuperação econômica do país. Excluídos pelos EUA As licenças, no entanto, mantêm algumas restrições e exclusões. Elas proíbem qualquer transação envolvendo entidades ou cidadãos de países aliados do regime bolivariano: Rússia, Irã, Coreia do Norte e Cuba. A medida também exclui empresas controladas pela República Popular da China e indivíduos na lista de Nacionais Especialmente Designados (SDN), garantindo que o auxílio financeiro seja gerenciado dentro de parâmetros específicos impostos por Washington. A decisão de Washington ocorre menos de duas semanas depois de o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) ter removido a presidente interina Delcy Rodríguez de sua lista de indivíduos sancionados, sugerindo um processo de flexibilização gradual das medidas coercitivas, impostas a partir de 2017 por Washington. “Quero convocar todos os setores políticos a deixarem de lado as diferenças e nos somarmos a uma grande peregrinação para lutar em conjunto, para elevar nossas vozes como uma só voz contra o bloqueio, para que cesse o bloqueio e cessem as sanções ao nosso país. Essa peregrinação iniciará no 19 de abril, percorrerá toda a Venezuela e chegará a Caracas no 1º de maio”, disse a presidenta em rede nacional na segunda-feira (13). “As sanções lideradas pelos EUA (cuja definição mais apropriada é Medidas Coercitivas Unilaterais, ou MCU) fez a Venezuela perder receitas petrolíferas equivalentes a 213% do seu PIB entre janeiro de 2017 e dezembro de 2024” escreveu o historiador marxista Vijay Prashad em sua coluna no Brasil de Fato. “No total, o país sofreu perdas estimadas em US$ 226 bilhões (R$ 1.134 bilhão) — cerca de US$ 77 milhões de dólares por dia — durante esse período, ainda anterior à campanha de pressão máxima imposta por Trump”, disse o diretor do Instituto Tricontinental. Segundo um estudo de opinião realizado em março de 2026, 93% dos venezuelanos são favoráveis à anulação de todas as medidas contra a nação. A pesquisa indica que o alívio do impacto econômico é visto como uma prioridade compartilhada para a recuperação do país.
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